O Deus que se comunica com o homem – Pb. José Roberto
Na aula de hoje veremos que Deus se comunica com o homem. O princípio da comunicação, ou da revelação divina, repousa no relato bíblico de que Deus falou. Partindo desse pressuposto, definiremos e distinguiremos a revelação divina geral e especial. Em seguida, trataremos a respeito da revelação divina na história da salvação. E por fim, da resposta divina diante dessa revelação.
Nesta lição, os termos “comunicação” e “revelação” serão usados de forma intercambiável. Assim sendo, podemos dizer, consoante ao título da aula, que Deus se comunica ou se revela ao homem. A revelação se faz necessária porque o homem é finito e não pode conhecer a Deus por meios próprios. Por isso, num ato de livre graça, Deus se revelou para nós. Ele rompeu o silêncio e se deu a conhecer. Essa revelação aconteceu, tanto nos tempos antigos quanto atuais, pela manifestação geral e/ou específica: 1) geral – Deus comunicando a respeito de si mesmo a todas as pessoas de todos os tempos e lugares; e 2) especial – a manifestação de Deus para pessoas específicas em épocas específicas. Os meios da revelação geral são: a natureza, a história e a constituição do ser humano (Sl. 19.1; Rm. 1.18-21,25; At. 14.15-17; 17.22-31). A revelação geral, no entanto, tem suas limitações por causa da queda do ser humano (Rm. 1.21; II Co. 4.4; Rm. 10.14). Ademais, por meio dessa revelação, é possível identificar um Deus Criador e Poderoso, mas não Amoroso e Salvador. Diante de tal limitação, o Deus da Bíblia resolveu se revelar especialmente à humanidade. Primeiramente, a Israel (Ex. 3.14), revelando-se como o EU SOU. Posteriormente, pela Bíblia, por meio da palavra profética, conhecida hoje, entre os cristãos, como Antigo Testamento (Jr. 18.1; Ez. 12.1; Os. 1.1; Jl. 1.1; Am. 3.1). O Novo Testamento, desde os tempos dos apóstolos, é também considerado revelação divina, Palavra de Deus (II Pe. 3.15; Ap. 22.18,19).
2. CRISTO, A PLENITUDE DA REVELAÇÃO DIVINA
A plenitude da revelação divina, no entanto, está em Cristo, o Verbo que se fez Carne (Hb. 1.1-3). A revelação como Pessoa, por conseguinte, se junta à Palavra Escrita, de modo que, pela Bíblia, temos o testemunho fiel e verdadeiro dos apóstolos a respeito de Cristo (Jo. 19.35; 21.24; I Jo. 1.1). Em Hb. 1.1 está escrito que “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. A esse respeito, entendemos: 1) que Deus falou antigamente – assim sendo, não podemos incorrer no erro de pensar que somente há revelação em Cristo e/ou depois dele, a Lei, também tem o seu papel em relação com o Evangelho; 2) Deus falou não apenas um vez, mas “muitas vezes” – não continuamente, mas em fragmentos e intervalos; 3) não apenas de um modo, mas de “muitas maneiras” – por anjos, Urim e Tumin, sonhos e visões (Nm. 12.6-8); 4) ao pais – Noé, Abraão, Isaque, Jacó, entre outros – pelos profetas – Moisés, Davi, Elias, Jeremias, entre outros – essa revelação fora dada em porção, isto é, nenhum desses detinha a plenitude da revelação divina (I Co. 10.1); 5) nos últimos dias, isto é, nos dias de Cristo na terra, Deus falou-nos pelo Seu Filho, Jesus Cristo, que é a expressão completa, ininterrupta da revelação divina, pois nEle habita a plenitude da deidade (Jo. 1.16; 3.34; Cl. 2.9). Em Jesus Cristo repousa todo o espírito da profecia, a graça e a verdade do Evangelho (Ap. 19.10; Jo. 1.17; 5.46; 14.9; Hb. 1.3).
3. A RESPOSTA HUMANA À REVELAÇÃO DIVINA
Deus falou, e como resultado dessa revelação, desse apocalipse, manifestação, parousia, somos todos postos diante dEle. Cabe ao homem, diante de Cristo, responder a Deus, aceitando-O ou rejeitando-O. A todos quantos O receberam, deu-lhes a autoridade de serem chamados filhos de Deus (Jo. 1.12). Em virtude do pecado, a condenação eterna está imposta a todos os homens, pois todos pecaram e destituídos ficaram da glória de Deus (Rm. 3.23). As obras são insuficientes para trazer a salvação dos homens (Ef. 2.8,9). Na verdade, nada há que o homem possa fazer para encontrar a justiça divina, a não ser por Jesus Cristo (Is. 57.12). A religiosidade ou a moralidade também não garantem a salvação, pois necessário se faz que o homem nasça de novo (Jo. 3.3). Não há outro caminho pelo qual os homens possam ser salvos, somente Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6; I Jo. 5.20). Não há outro nome, além do de Cristo, por meio do qual possamos ser salvos (At. 4.12). Aos que recusam o Filho de Deus, permanece sobre eles a ira divina (Jo. 3.36). Segundo a revelação bíblica, estão entesourando ira para si, que se manifestará no juízo de Deus (Rm. 2.5-8; Rm. 12.19).
CONCLUSÃO
O Deus da Bíblia não é como um pai que se ausentou dos seus filhos e não mais rdeu notícias. Ou, como dizem os deístas, a um relojoeiro que deu cordas na sua criação e a abandonou ao acaso. O Deus da Bíblia, ciente das limitações humanas decorrentes da Queda, resolveu falar. Ele se revelou, a princípio, através da natureza – mostrando o seu poder criador, e da consciência – revelando na constituição humana o seu pecado. O ápice dessa revelação é Cristo, Aquele que revelou a face de um Deus de justiça e de amor. Essa é a grandeza da revelação divina, que, ao contrário do que se dizem, não é excludente, na verdade, é includente, pois Deus, em Cristo, forneceu um escape à humanidade outrora condenada para que “todo aquele” que nEle crê tenha a vida eterna (Jo. 3.16).
BIBLIOGRAFIA
ERICKSON, M. J. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.
MENZIES, W.W., HORTON, S. M. Doutrinas bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.















JUÍZES 13.2 à 5 Havia um homem de Zorá, da linhagem de Dã, chamado Manoá, cuja mulher era estéril e não tinha filhos. Apareceu o Anjo do SENHOR a esta mulher e lhe disse: Eis que és estéril e nunca tiveste filho; porém conceberás e darás à luz um filho. Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus.
Deuteronômio 23:21 e 23 Quando fizeres algum voto ao SENHOR, teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o SENHOR, teu Deus, certamente, o requererá de ti, e em ti haverá pecado. Porém, abstendo-te de fazer o voto, não haverá pecado em ti.
Que votos temos feito a Deus que não temos cumprido?
Sansão, um herói bíblico, de coragem, valente e cheio do Espírito de Deus. Um dia resolveu brincar de ser forte, imaginava ele ser mais forte do que seu próprio voto na ordem dada aos seus pais. Cresceu com este voto, sabia do seu compromisso para com Deus. Sua vida foi guerrear contra o exército filisteu. Grande coragem, grande incumbência pesava sobre seus ombros: Começar à livrar o povo de Israel que se havia feito prisioneiro dos filisteus.
Grandes coisas pesam sobre nossos ombros em nossas responsabilidades de anunciar o evangelho à todas as pessoas, quer queiram escutar ou não.
Infelizmente, quantos de nós temos brincado de ser fortes, e nos deixamos levar pelas nossas próprias iniqüidades que nos distanciam das ordenanças de Deus.
Sansão, homem consagrado ainda no ventre da sua mãe. Possuidor de tamanha força, enquanto o seu voto para com Deus fosse respeitado e obedecido.
Quando estava indo ver uma mulher, filha dos filisteus, que havia encantado seus desejos humanos. Provavelmente ele tinha algum problema com mulheres, se encantava facilmente com elas. Veio a lutar com um leão, matando-o e o destroçando, deixando-o a beira do caminho. Passado alguns dias, volta Sansão pelo mesmo caminho para ver sua amada e tem a curiosidade de ir ver como estava a carcaça do leão morto. Descobrindo dentro do animal (imundo para um nazireu) um enxame de abelhas com mel. Resolvendo pegar um favo de mel e ir comendo enquanto andava pelo caminho. Não contando a ninguém a origem da iguaria. Começou ali a desobediência do voto de Sansão com as coisas ordenadas por Deus. Começou ali a sua desgraça. Ali ele ficou cego pelo brilho e o sabor das coisas. Mulheres de povos inimigos, seus próprios inimigos, lhes vinham fazer ameaças de morte, a ele e sua família. Casa-se Sansão e esta filha de seus inimigos, lhe instiga à revelar o seu segredo. Preserva-se Sansão no seu voto, mas por fim, vem a separação do casal. Surge outro favo de mel na vida de Sansão: Dalila e seus encantos. Unindo-se à ela, não mais conseguia ouvir a voz do seu Deus. Ficou cego, surdo e coxo de raciocínio, o que o levou a ruína total, causando sua escravidão junto aos seus inimigos e inimigos do povo de Deus, e por fim a sua morte. Sabemos da história. Deus sempre tem procurado se comunicar com os seus escolhidos, principalmente com os que fazem votos de O seguir, mas quantos tem procurado outro caminho, e ver as coisas já mortas. Assim como Sansão, lá, das coisas mortas, tirou algo que lhe foi bom e satisfez seu apetite, foi saboroso, até ofereceu o que lhe parecia bom, aos seus familiares. E o que era doce, lhe causou um fim amargo, sua cegueira literal e principalmente espiritual. Preso, humilhado, escarnecido, sabia que o seu fim chegara, na sua tristeza, clamou pela misericórdia de Deus, dizendo que morresse ele juntamente com seus inimigos e escarnecedores. Ainda li, diante do seu estado de vida, Deus, abençoou pela derradeira vez, fazendo com que morresse ele e aos filisteus que dele escarneciam, mas que no fundo escarneciam a um “consagrado” de Deus. Quantos “fiéis” tem escarnecido dos consagrados a Deus, e, tem participado das coisas que ridicularizam as ordenanças de Deus, permitindo que outros mortos espirituais lhes tirem a honra de serem feitos instrumentos nas mãos do ALTÍSSIMO, colocando-os ao ridículo perante a Vontade de Deus. Uma lástima, quando observarmos que ninguém se tem por ignorante quando é conhecedor da Palavra de Deus, a Divindade Suprema que se menciona na Bíblia, o Livro que se torna Sagrado, por ter sido ali escrito revelando a Vontade de Deus, que está à cima de qualquer vontade, e é além do que um livro somente, mas tem comunicado Ele, suas ordenanças à toda humanidade, não somente a alguns homens, mas principalmente aqueles que da Palavra fazem do seu meio de sobreviver nesta terra, quer pela força ou pelo Poder do que o Evangelho causa.
Sansão não morrera pelo fato do corte do cabelo, se considerarmos que ali foi a conseqüência da primeira desobediência, quando por voto não cumprido, provou e gostou e até ofertou do mel que houvera extraído de coisas imundas. Estava cego pelo seu “eu”. Notemos que Deus não tem preferidos. Moisés foi por incumbência, Deus diante de faraó, Araão o gigante profeta, confeccionou outros ídolos e veio pecar contra Deus, dizendo-se fraco por ter pecado junto com o povo, todos homens de Deus, grandes em seu tempo o no contexto do Reino de Deus, mas tiveram seus desatinos perante Deus e Deus não os poupou. Davi, o homem segundo o coração de Deus, Deus não o deixou construir o seu templo. Salomão, o mais sábio rei sobre a terra, perdeu-se na sua caminhada por “se achar”, trouxe para si e à Nação de Israel grandes problemas, quando relacionou-se com mulheres de outros povos.
Deus tem se comunicado com os seus homens, e, através deles, solicita que comuniquemos ao mundo que Ele ama o mundo (as pessoas), a ponto de ter enviado o seu Único Filho para morrer pelo mundo. Infelizmente os homens que estão no mundo preferem mais o mundo, do que o Unigênito de Deus.
Necessário foi, pois, que tivéssemos a oportunidade de nascermos de novo para que pudéssemos entender desta tão grande dádiva de Deus.
Deus, um comunicador por excelência. Só que os homens preferem notícias que os condenam, enquanto a Vontade do Comunicador é que NENHUMA ALMA SE PERCA, mas QUE TODAS SEJAM SALVAS pelo PODER DA SUA PALAVRA.
Deus é Justo, e sendo Justo, oferece escape da condenação eterna. O Espírito Santo de Deus ainda nos comunica dos nossos erros. Querendo com isto aperfeiçoar-nos a cada dia, basta que estejamos com nossos ouvidos espirituais atentos à sua Vontade.
O pai do filho pródigo recebeu o filho que retornara, de braços abertos, e comunica ao seu filho que esteve em casa e que se indignara com o ato do pai receber o filho dissoluto, dizendo-lhe: Tu meu filho, sempre esteve aqui, e tudo o que você tinha ao teu alcance era para ser usufruído, bastava perceber. Provavelmente o que ficara, não se comunicava muito com o Pai que sempre esteve por perto.
Deus fala aos que estão aqui, tudo lhes pertence, basta procurar-me. Mas também nos diz que pedimos e não recebemos. Sabe por que? Porque não sabemos pedir como convém. Deus, desde sua criação no Éden, tem procurado saber aonde está o homem, para que possa conversar com sua criação, mas o homem tem se afastado de Deus, porque o pecado constrange e nos afasta do amor de Deus. Uma maneira de escaparmos deste estado, é nos santificarmos a cada dia, crescendo no conhecimento e na sua Graça.
Como fala a sua Palavra: CONHEÇAMOS e PROSSIGAMOS em CONHECÊ-LO.
Esta sim é a verdadeira vocação dos que em espírito e em verdade, O adoram. Quem conhece de comunicação sabe que ninguém que tem uma boa notícia a guarda para si. O portador da boa notícia quer repartir o que tem para divulgar, e, Deus tem uma quão Magnífica Palavra de salvação: ARREPENDEI-VOS E CREDE QUE O SENHOR É BOM e a SUA BEGNIDADE SE ESTENDE DE GERAÇÃO À GERAÇÃO. Crê-ia no Senhor Jesus Cristo e será salvo tu e tua casa.
A primeira parte desta notícia é uma ordem, a segunda trata-se da notícia salvifíca por misericórdia de Deus.
Valdir Carvalho – Cascavel-Pr, 09.9.2008