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A leitura devocional da Bíblia - Dr. Caramuru Afonso
By Editor | Abril 20, 2008
www.escoladominical.com.br
INTRODUÇÃO
- Na seqüência do estudo das disciplinas da vida cristã, estudaremos a leitura devocional da Bíblia Sagrada, o outro aspecto indispensável na vida de comunhão com Deus. Se, com a oração, como vimos na lição anterior, manifestamos nossa vontade a Deus; na leitura da Palavra, ficamos a saber a vontade de Deus. Assim, lendo a Bíblia e orando, possamos conformar nossa vontade à vontade de Deus, tornando-nos, pois, cada vez mais semelhantes a Ele, que é o objetivo de nossa vida espiritual (Ef. 4:12,13; I Jo.3:2).
- Na atualidade, vivemos um paradoxo: nunca se disponibilizaram tantos meios para se ter acesso à Bíblia Sagrada, mas, também, nunca houve tanta ignorância e tanto menosprezo à Palavra de Deus entre os que cristãos se dizem ser. Como está a sua leitura bíblica?
I – A IMPORTÂNCIA DA LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA
Colaboração/Gráfico: Enomir Santos
- Além da oração, outro aspecto que deve ser uma constante na vida espiritual diária do cristão é a leitura da Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus e a principal fonte de revelação da vontade de Deus para com o homem. Se queremos ter uma vida de comunhão com Deus, faz-se mister que saibamos qual é a vontade de Deus para com o homem e esta vontade está estampada na Palavra de Deus. Com efeito, Deus é a verdade (Jr.10:10) e a Sua Palavra é a verdade (Jo.17:17), prova de que a Palavra é a principal e completa revelação do Senhor à humanidade (Hb.1:1; Ap.19:13).
- Ponto fundamental para conhecermos o caráter e a vontade de Deus, portanto, é conhecer a Sua Palavra e, por este motivo, Jesus sempre demonstrou que Seu ministério nada mais era senão o cumprimento das Escrituras (Mt.5:17,18; Jo.5:39; Lc.24:44-47), bem como que ensinar a Palavra era, ao lado da pregação do Evangelho, o principal e exclusivo trabalho dos apóstolos na igreja primitiva (At.6:2,4).
- O salmista alerta que a felicidade do homem está em ter prazer na lei do Senhor de dia e de noite (Sl.1:1,2) e, desde o tempo de Moisés, é dito que o segredo da própria vida espiritual é o fato de termos conhecimento e praticarmos, dia-a-dia, a Palavra do Senhor (Dt.6:1-9).
- Lamentavelmente, ao contrário de todas estas passagens das Escrituras que determinam a meditação contínua e incessante na Palavra do Senhor, poucos são aqueles que, dizendo-se crentes em Cristo, dedicam-se ao estudo e à leitura da Bíblia Sagrada. Certo pastor afirmou que, para não causar mais vergonha e decepção entre alunos de cursos teológicos, deixou de fazer uma pergunta com a qual iniciava seu curso no início do ano em todas as escolas de teologia em que já lecionou. Perguntava o pastor se alguém ali, que por se interessar em estudar a Palavra de Deus mais profundamente, havia se matriculado num curso de teologia, havia lido a Bíblia inteiramente ao menos uma vez e, para sua decepção, ano após ano, este número nunca superava parcelas ínfimas da classe. Assim, se entre pessoas que, teoricamente, dão valor ao estudo da Palavra de Deus, eram tão poucos os que leram a Bíblia toda pelo menos uma vez na vida, que dirá no restante do meio do povo de Deus ?
- Aliás, para nossa tristeza, soubemos que está em vias de finalização uma pesquisa na Universidade de São Paulo em que se está observando que o Brasil é o único país onde o analfabetismo funcional está aumentando entre os evangélicos. Analfabetismo funcional é aquele estado em que as pessoas, embora saibam ler e escrever, são incapazes de entender e compreender o que lêem. Tradicionalmente, os evangélicos, em todo o mundo, são as pessoas que menor índice de analfabetismo funcional têm, porque, desde cedo, são convidados a ler e meditar na Bíblia Sagrada e, portanto, desafiados a entender e compreender o que está escrito. No entanto, de dez anos para cá, este índice tem aumentado no Brasil e a referida pesquisa está chegando à conclusão que isto se deve ao pouco uso que os evangélicos brasileiros estão fazendo da Bíblia Sagrada, que não está mais sendo lida pelos crentes. Que triste realidade a ser denunciada por pessoas que nem mesmo crentes são! Despertemos, pois a falta da leitura bíblica é a principal arma que o inimigo usa para a destruição do povo de Deus (Os.4:6).
- Aliás, não se sabe de onde (cremos nós que do meio das hostes espirituais da maldade…), surgiu a crença de que o estudo da Palavra de Deus é um obstáculo à atuação do Espírito Santo ou de demonstração do poder de Deus, motivo pelo qual, principalmente no meio dos crentes pentecostais, desenvolveu-se a idéia de que “a letra mata” e de que o crente não deve estudar a Palavra de Deus, porque “o Espírito Santo dará a palavra necessária no momento certo”, ensinamentos que não têm qualquer respaldo bíblico e que devem ser afastados. A Bíblia afirma-nos que o Espírito Santo nos fará lembrar da Palavra do Senhor (Jo.14:26). Como se poderá lembrar o que não se aprendeu, o que não se leu ? Outrossim, mesmo uma pessoa indouta como era Pedro, em sua última mensagem à igreja, como uma recomendação que nunca deveria ser esquecida pelos crentes de todos os tempos, é bem claro ao afirmar que devemos crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (I Pe.3:18), mostrando, assim, a necessidade de meditarmos e refletirmos na Palavra do Senhor, como, aliás, fazia o próprio Pedro em relação às cartas de Paulo (I Pe.3:15).
- Se não meditarmos na Palavra do Senhor, se não buscarmos conhecer a Deus em Sua Palavra, corremos o sério risco de virmos a ser destruídos espiritualmente, assim como ocorreu com o povo do reino do norte (Os.4:6). Aliás, o próprio Jesus nos ensinou, na prática, que a principal e única arma com que podemos vencer as tentações é a Palavra de Deus (Mt.4:1-11). Inobstante, muitos são os que, descuidadamente, têm usado suas bíblias apenas como adereço quando vão aos cultos (pois nem mesmo as lêem durante os mesmos), desperdiçando uma oportunidade rica e preciosa que o Senhor lhes tem dado para melhor conhecerem a Deus e desfrutarem de uma intimidade, de uma verdadeira comunhão com o Mestre. O resultado é que, cedo, são sufocados pelo adversário de nossas almas, quando não levados por ventos de doutrinas, exatamente porque não se encontram alicerçados na rocha, que é Cristo, a Palavra de Deus (Jo.1:1; Ap.19:13).
II – O QUE É LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA
- O título de nossa lição é “a leitura devocional da Bíblia”. De pronto, verificamos que não se trata de uma leitura qualquer da Palavra de Deus que caracteriza uma vida espiritual disciplinada. Fosse qualquer tipo de leitura, teríamos a lição com o título “a leitura da Bíblia”, o que não é o caso.
- A leitura devocional é a leitura com devoção e “devoção”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “apego sincero e fervoroso a Deus, sob uma forma litúrgica ou por práticas regulares privadas; sentimento religioso, piedade”. Vemos, portanto, que a leitura dita “devocional” é uma leitura que se faz com apego, com sinceridade, com fervor a Deus, de modo regular e que está sempre caracterizado e confirmado com a prática.
- A leitura devocional é, portanto, em primeiro lugar, uma leitura “com apego”, ou seja, uma leitura em que o leitor está envolvido, interessado em aprender com o que está lendo. A leitura devocional, portanto, é uma leitura em que todo o ser do leitor está orientado e dirigido para o texto que se vai ler. Não se trata, portanto, de uma simples “passada de olhos” no texto, de uma leitura em que os olhos lêem algo, mas a mente está em outro lugar, com sua atenção em outras coisas. Quantas vezes não vemos, em meio a leitura de um texto bíblico nas igrejas locais, pessoas com as Bíblias abertas mas que estão com sua atenção voltada para o movimento à sua volta? Efetivamente, esta leitura não é uma leitura devocional, pois não há apego, não há envolvimento da mente e do sentimento do indivíduo com o que se está a ler.
- Não é por outro motivo que, no texto sagrado, a palavra utilizada para a leitura devocional da Bíblia é “meditar”, como se vê, por exemplo, em Js.1:8, onde o próprio Senhor, ao orientar Josué, após a morte de Moisés, manda que o novo líder de Israel meditasse no livro da lei de dia e de noite. Ora, o livro da lei, àquela altura, era tudo quanto havia das Escrituras Sagradas e, ao determinar que Josué, para que tivesse êxito em sua missão, não apartasse da sua boca a lei e nela meditasse de dia e de noite, o Senhor estava determinando que Josué não cessasse de refletir, pensar longamente, ocupar-se daquilo que estava escrito no livro.
- “Meditar” é, precisamente, dizem-nos os lexicógrafos (aqueles que escrevem dicionários), o ato de “refletir, pensar longamente, ocupar-se, estudar, praticar e fazer”. A leitura devocional, portanto, é muito mais do que um simples passar de olhos, mas é uma leitura que é acompanhada de um pensamento longo, de uma reflexão, de um envolvimento mental contínuo com aquilo que está escrito, pensamento longo e reflexão que levam a uma tomada de atitudes, a modos de viver.
OBS: A palavra hebraica empregada para “meditar” é “hagah” (???), cujo significado é “refletir, gemer, resmungar, ponderar, planejar, maquinar”. “…Hagah representa algo tranqüilo, diferente do sentido de ‘meditação’ enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: medita. Sl.1:2, p.537).
- Esta meditação, conforme determinada por Deus a Josué, era uma meditação contínua. A expressão bíblica é “de dia e de noite”, ou seja, a qualquer hora do dia, a qualquer momento, em outras palavras, sempre. Assim como há um mandamento bíblico para orarmos ininterruptamente, também existe uma determinação do Senhor para que jamais deixemos de pensar e de refletir sobre as Escrituras Sagradas. O salmista diz que meditava todo o dia (Sl.119:97). Mas por que deveria Josué meditar de dia e de noite no livro da lei? O próprio Deus responde: “para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito, porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Js.1:8). Estas palavras, a propósito, são repetidas pelo salmista (Sl.1).
- A leitura devocional da Bíblia, por ser feita com apego, isto é, com meditação, com envolvimento mental e longa reflexão a respeito do que é lido, produz em cada leitor o cuidado necessário para que pratiquemos as ações corretas, para que ajamos segundo a vontade de Deus, que está expressa no texto sagrado, a fim de que tenhamos uma vida espiritual bem sucedida e que adquiramos a prudência, que é nada mais, nada menos que a ciência do Santo (Pv.9:10). Para que sejamos vitoriosos nas lutas diárias que temos na vida com Cristo nesta Terra, para que saibamos o que o Senhor Jesus, que é o Santo, quer de cada um de nós, é indispensável, são palavras do próprio Deus, que estejamos a meditar de dia e de noite na Palavra do Senhor.
- Por isso, temos visto, notadamente nestes últimos dias, tantos crentes que têm fracassado na fé, que têm se desviado dos caminhos do Senhor, que têm agido fora dos ditames estabelecidos por Deus em Sua Palavra, bem como agido imprudentemente e tido grandes derrotas espirituais em suas vidas. Tudo isto tem acontecido porque tais pessoas não têm meditado de dia e de noite na Palavra do Senhor. Não lêem a Bíblia e se a lêem, não meditam naquilo que está escrito, fazem tão somente uma “passada de olhos”, que não é o que determina o Senhor para que alcancemos o sucesso e a vitória espirituais.
- É interessante notar que certos costumes de outrora, que, infelizmente, têm sido abandonados na atualidade, são práticas que representaram uma forma de se atender ao mandamento bíblico. Assim, por exemplo, há algumas décadas atrás, era rotineiro, absolutamente comum que todos os alunos da Escola Bíblica Dominical recitassem o texto áureo de cor. Durante toda a semana, desde as crianças até os idosos, todos se empenhavam a guardar na memória o texto áureo, normalmente um versículo bíblico que sintetizava todo o assunto da lição. Neste ato de memorização, notadamente para as crianças e jovens, estava uma forma simples e de grande utilidade para a meditação exigida pela Bíblia. Estes versículos, uma vez decorados, ficam indelevelmente registrados na mente das pessoas, de modo a que o Espírito Santo possa lembrar tais palavras quando isto se fizer necessário na vida diária de cada um deles. Além do mais, ao se buscar decorar o versículo, durante toda a semana a pessoa ficava envolvida com a Palavra de Deus, podendo, assim, atender à meditação determinada pelo Senhor para os Seus servos.
- Na atualidade, em vez de ocupar a mente em versículos bíblicos ou no texto sagrado que é lido, as pessoas têm suas mentes ocupadas com um sem-número de coisas, muitas delas que desagradam profundamente o Senhor. Quantos não são as pessoas que estão envolvidas com os jogos eletrônicos, com as vidas virtuais em mundos virtuais, com programas de televisão, enfim, com entretenimentos mil que, muitas vezes, estão a propagandear e a disseminar o pecado e a incentivar e estimular tudo aquilo que não agrada a Deus? Será que podemos repetir as palavras do salmista no Sl.119:78?
- As pessoas, na vida agitada que levam, dizem não ter como “meditar” na Bíblia Sagrada, não terem tempo para refletir sobre o texto sagrado, mas têm tempo para ficar horas a fio diante de um computador ou de uma televisão vendo e participando de coisas que não agradam a Deus ou que são, simplesmente, inúteis para o seu crescimento espiritual. O problema é o tempo ou a falta de apego às coisas de Deus? O problema é o tempo ou a falta de amor a Deus (Sl.119:97)?
- A leitura devocional, porém, não é apenas uma leitura com apego, mas, também, uma leitura sincera, ou seja, uma leitura em que se procura, de coração, sem preconceitos, saber qual a vontade de Deus para as nossas vidas (Sl.119:15).
- Muitos até se dedicam a uma leitura cuidadosa do texto sagrado, passam o tempo pensando no texto bíblico, refletindo sobre ele, procurando entender o seu significado. No entanto, não fazem uma leitura sincera, mas, bem ao contrário, estão a buscar textos que justifiquem o seu modo de viver, a sua forma própria de querer se relacionar com Deus. Assim, enquanto deveriam ler a Bíblia para saber o que Deus está a querer de cada um de nós, buscam o texto sagrado única e exclusivamente para justificar o seu procedimento, a sua vida independente de Deus, a sua própria iniqüidade.
- Nos dias em que vivemos, muitos são os que, tendo comichão nos ouvidos, buscam doutores que estão de acordo com os seus pecados e não com o texto sagrado (II Tm.4:3,4). São pessoas que distorcem a verdade das Escrituras a fim de agradar os pecadores, de dar-lhes a impressão de que a forma pecaminosa que estão a viver não irá lhes privar da graça de Deus. São pessoas imbuídas de espíritos enganadores e de doutrinas de demônios (I Tm.4:1), que levarão após si muitos que, tanto quanto eles, estão a preferir o pecado à verdade (II Pe.2:1,2).
- A leitura devocional da Bíblia é uma leitura sincera, ou seja, uma leitura em que se busca compreender o que está escrito e se adotar aquilo que está escrito, sabendo que a Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e que, portanto, é a própria expressão do Senhor, de forma que não temos de adaptar a Bíblia à nossa maneira de viver, mas, bem ao contrário, adaptar o nosso modo de viver à Bíblia. Uma leitura sincera do texto sagrado é sempre uma leitura que incomoda o leitor, que faz com que ele veja as suas imperfeições, as suas mazelas e que, portanto, gera uma vontade de mudança, de maior santificação, de maior aproximação com Deus.
- Não é por outro motivo que a Palavra de Deus tem, entre seus símbolos mais proeminentes, o da água. A água tem a purificação, a limpeza como uma de suas principais finalidades e Jesus nos ensinou que somos limpos pela Sua Palavra (Jo.15:3). O crescimento espiritual está vinculado a esta limpeza da Palavra. Em Sua oração sacerdotal, o Senhor fez questão de frisar que a santificação vem pela Palavra (Jo.17:17), bem como, no encontro com Nicodemos, disse que a entrada no reino de Deus depende de nascermos da água e do Espírito (Jo.3:5).
- Tais expressões do Senhor Jesus mostram-nos, com grande clareza, que a salvação depende de nossa conformidade com a Palavra de Deus. Sem que leiamos a Bíblia e conformemos nossa vida ao que ali consta como sendo a vontade do Senhor, jamais alcançaremos a salvação de nossas vidas, visto que é indispensável que sigamos a santificação, sem o que jamais veremos o Senhor (Hb.12:14).
- Isto significa que, se negligenciarmos na leitura sincera da Bíblia
Sagrada, aquela leitura em que temos por objetivo saber como Deus quer que vivamos e não uma justificativa para o modo como estamos vivendo, estaremos trilhando o caminho da perdição, o caminho espaçoso da porta larga, onde tudo é permitido, mas cujo fim é a eterna separação de Deus (Mt.7:13).
- Temos de ler a Bíblia com humildade, crendo que ela é a Palavra de Deus e que temos de lê-la para aprender a viver conforme a vontade de Deus e não para justificarmos os nossos pensamentos, os nossos conceitos. Temos de ler as Escrituras sem “pré-conceitos”, ou seja, sem achar isto ou aquilo, mas com o propósito de descobrirmos o que Deus quer de nós, que o que está escrito é a verdade e não temos de questioná-la, mas vivê-la, aplicá-la a nossos passos, a nossas ações, a nossos pensamentos, a nossa vida, enfim.
- Da mesma maneira, ao ouvirmos ou lermos algum ensino das Escrituras, alguma pregação, alguma profecia ou revelação é imperioso que tudo julguemos à luz da Bíblia, como fizeram os judeus convertidos de Beréia, que, por tal atitude, fomos chamados de mais nobres (At.17:11). O texto sagrado deve ter proeminência sobre tudo o mais. Por isso, um dos principais motes da Reforma Protestante, um dos mais importantes movimentos de avivamento espiritual da Cristandade, era “Sola Scriptura”, ou seja, “Só a Escritura”. Nada, nenhuma tradição milenar ou pensamento genial pode se sobrepor ao que está contido na Bíblia.
- A leitura devocional não é apenas uma leitura com apego e sincera, mas uma leitura fervorosa. Isto nos fala de que a leitura da Palavra de Deus, embora tenha de se utilizar do intelecto, tem de ser uma leitura espiritual, pois todo crente tem de ter a mente de Cristo (I Co.2:16).
- A Bíblia é a Palavra de Deus. Embora tenha sido escrita por seres humanos, estes homens de Deus escreveram o que escreveram porque foram inspirados pelo Espírito Santo (II Pe.1:21). Assim, temos que as Escrituras são a própria expressão do Espírito Santo aos homens. Ora, por mais que Deus tenha procurado Se fazer conhecido dos homens, descendo até o nível insignificante da humanidade, para Se fazer compreendido, não podemos deixar de considerar que o texto bíblico é um texto divino e que não há como se discernir as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus (I Co.2:11). Desta maneira, não há como se compreender a Bíblia senão pelo Espírito Santo.
- A leitura devocional da Bíblia, portanto, tem de ser uma leitura espiritual, ou seja, uma leitura que seja dirigida e guiada pelo Espírito de Deus. Muitos lêem a Bíblia com total envolvimento mental, intelectual, buscam sinceramente saber o significado próprio do texto, mas, lamentavelmente, não passam da superficialidade, se é que realmente a atingem, porque não fazem uma leitura fervorosa, uma leitura espiritual.
- Assim como os céus estão elevados em relação à Terra, assim também os pensamentos de Deus são mais altos que os pensamentos humanos (Is.55:8,9). Não há, portanto, como entender e compreender a Bíblia Sagrada a não ser pelo Espírito Santo, porque a mente humana, por si só, é incapaz de atingir a sublimidade a profundidade das realidades divinas. O apóstolo Paulo bem o diz ao adorar ao Senhor com um hino no término do capítulo 11 da epístola aos romanos (Rm.11:33-36). Ali o apóstolo mostra que as riquezas, a sabedoria e a ciência de Deus são muito profundas e não há como sondar os Seus juízos e de investigar os Seus caminhos. Ninguém poderá compreender os desígnios divinos, a menos que o próprio Espírito Santo, que penetra todas as coisas referentes a Deus, no-lo faça compreender (I Co.2:10).
- Por isso, a tentativa que se fez, com a chamada “crítica bíblica” ou “criticismo bíblico”, de se tentar compreender a Bíblia Sagrada exclusivamente à luz da razão humana, de se “enquadrar” o texto bíblico nos critérios racionais do homem, acabou gerando a chamada “teologia liberal”, que nada mais é que uma demonstração de incredulidade e de arrogância do homem em relação a Deus, que faz com que tais “teólogos” e “críticos” sejam postos na mesma condenação dos ateus, constante tanto do Sl.13:1 quanto do Sl. 53:1. Para Deus, por terem se esquecido da insignificância da razão humana e da absoluta necessidade de se ler a Bíblia com fervor, espiritualmente, com o Espírito Santo, tais pessoas não passam de ignorantes, de néscias, visto que nada sabem a respeito das realidades eternas. Quando assim lemos a Bíblia, temos a mesma sensação do salmista, que, ao meditar na Palavra, sentiu acender-se um fogo em si, o fogo do Espírito Santo (Sl.39:3)!
- A leitura espiritual ou fervorosa da Bíblia, é bom deixarmos claro, nada tem que ver com as “leituras espiritualizadas” que muitos estão a fazer na atualidade, em evidente deturpação do sentido bíblico. O texto bíblico deve ser entendido espiritualmente, pois se trata de um texto inspirado pelo Espírito Santo, mas o que está escrito deve ser entendido, num primeiro momento, no seu sentido literal. Não podemos deixar de crer no que diz o texto sagrado e cometer o equívoco de que tudo o que está na Bíblia é simbólico, alegórico. Agir desta maneira não é fazer uma “leitura espiritual”, mas, sim, reduzir o texto bíblico a um conto de fadas, a uma mitologia qualquer, o que é inadmissível. Muito pelo contrário, a Bíblia faz questão de se distinguir destas histórias surgidas da imaginação humana (II Tm.4:4; II Pe.1:16).
- A leitura espiritual da Bíblia faz com que sejamos dominados pelo Espírito Santo e, como resultado disto, passamos a fazer a obra de Deus, a pregar com ousadia a Palavra do Senhor, cumprindo, assim, um dos principais objetivos do derramamento do Espírito sobre a Igreja. A meditação fervorosa da Palavra gera palavras em nossa boca que são agradáveis ao Senhor e que divulgam os Seus feitos – Sl.19:14; 49:3; 77:12.
- A leitura devocional deve ser feita, também, de modo regular. Disse o dicionarista que “devoção” é “dedicação sob uma forma litúrgica”. Sabemos que “liturgia” é o conjunto de práticas de um determinado rito, as formalidades que se fazem numa determinada cerimônia religiosa.
- A leitura devocional exige uma certa solenidade, não é algo que seja feito de qualquer maneira, de qualquer jeito. Não somos adeptos do formalismo que, quase sempre, como temos visto ao longo deste trimestre, esconde um vazio espiritual, como os fariseus dos dias de Jesus. Não somos daqueles que, como os mais escrupulosos religiosos, estabelecem um sem-número de regras e de mandamentos para que se tenha a leitura do texto sagrado. Os livros de orações, os missais, os breviários, enfim, todos os livros que, ao longo da história da Igreja, têm surgido buscando disciplinar a leitura das Escrituras nada mais são que expressão deste vazio espiritual, que não leva a lugar algum.
- No entanto, se somos contrários ao formalismo, à religiosidade externa e vazia de Deus, também não podemos concordar com uma leitura devocional das Escrituras que seja displicente. Aliás, a leitura devocional, como se observa, é uma leitura que tem uma determinada “liturgia”, ou seja, que tem uma certa formalidade, uma solenidade. Em última instância, é uma leitura que deve ser feita com “reverência”. “Reverência” é a “veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal”, “respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência”.
- Ora, como temos visto, a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, ou seja, é o próprio Deus que Se comunica conosco, é a expressão da vontade do Senhor para o homem, a Sua revelação à humanidade. Jesus, mesmo, foi identificado com a Palavra, visto que é o Verbo (Jo.1:1; Ap.19:13). Se Jesus é a própria Palavra, a ponto de a Bíblia ter como assunto o Senhor (Jo.5:39), vemos que, no céu, o Senhor é digno de toda honra, de todo louvor (Ap.5:12). Também lemos que o Senhor foi exaltado acima de todo o nome (Fp.2:9-11), o que explica porque a Palavra foi posta acima do próprio nome de Deus (Sl.138:2). Se, pois, Deus tem em alta conta a Sua Palavra, como podemos ter um comportamento que não seja de reverência em relação a ela?
- Ao lermos o texto bíblico, devemos considerá-lo como um texto sagrado, ou seja, como a própria expressão de Deus, que é santo (Lv.11:44; 19:2; 20:7; I Pe.1:16). Desta maneira, é indispensável que nossa leitura seja uma leitura com reverência, já que reverência é o respeito devido àquilo que é santo. A própria Bíblia diz que Deus deve ser grandemente reverenciado na assembléia dos santos (Sl.89:7) e que devemos servir a Deus com reverência e piedade (Hb.12:28), bem como determinou que Seu santuário fosse reverenciado (Lv.19:30). Não há, pois, como deixar de ser reverente em nosso relacionamento com Deus.
- Sendo assim, como admitir, por exemplo, que a leitura da Palavra nas reuniões das igrejas locais seja feita em meio a conversas paralelas, a um total descaso por parte dos presentes? Como admitir que a leitura devocional seja feita em meio a conversas com terceiros, pessoalmente ou por meio de telefone ou webcams, como temos presenciado? Como permitir que pessoas leiam suas Bíblias prestando atenção a tudo que está a sua volta? É isto reverência?
- Ao contrário, quando lemos a respeito da leitura da lei por parte de Esdras para o povo (Ed.8:1-12), vemos que a leitura reverente tem algumas características vem diversas do que hoje contemplamos em muitos lugares. Senão vejamos.
- Em primeiro lugar, o povo todo se ajuntou como se fosse um só homem na praça diante da porta das águas (olha, uma vez mais, a água representando a Palavra de Deus). Todos saíram de suas cidades, de seus lares e se dirigiram até Jerusalém com o propósito de ouvirem a Palavra de Deus, que seria lida pelo homem de Deus. Existe esta disposição nos que se dirigem aos templos na atualidade? Há este propósito de ouvir Deus falar através da Sua Palavra que, por ser a verdade, por ser provada ao longo dos séculos (Sl.18:30), não gera qualquer dúvida? Entretanto, muitos, em vez de ficarem com os mananciais de águas vivas providenciados pelo Senhor, a exemplo do povo de Judá, abandonam-nos e cavam cisternas rotas para si, como revelações, profetadas etc. etc.(Jr.2:13).
- Uma vez juntos, o povo pediu a Esdras que trouxesse o livro da lei do Senhor para que ele fosse lido ao povo. Havia um desejo do povo para ouvir a Palavra, para que houvesse a leitura da Palavra. Naquele tempo, a grande e esmagadora maioria do povo não tinha livros, nem mesmo sabia ler o hebraico, língua que nem sequer era mais falada pelo povo, mas havia sede para que ela fosse lida em voz alta, para que pudessem participar desta leitura. Hoje em dia, com todo mundo quase sendo alfabetizado e, não raro, com mais de uma Bíblia em casa, há este interesse em se ler a Palavra? Há reuniões para leitura conjunta da Palavra, notadamente nos lares? É que não há tempo, porque o dia só tem 24 horas e horas a fio são gastas na internet, na televisão etc. etc.
- É interessante observar que a leitura feita por Esdras foi feita a homens, mulheres e entendidos (Ne.8:2). Ninguém estava excluído da leitura da Palavra. Ela era destinada tanto a homens quanto a mulheres e até mesmo os entendidos, ou seja, os que tinham conhecimento e estudo da Palavra, escribas tão hábeis como Esdras, também queriam ouvir a Palavra. Que lição para os dias de hoje, onde os “sabichões” acham que não precisam mais aprender a Palavra de Deus (tem se tornado costume obreiros não virem à EBD, como se a EBD fosse apenas discipulado para novos convertidos…). Quando fazemos uma leitura devocional da Bíblia, ela é revestida da humildade, pois temos de saber quem ninguém poderá jamais compreender o Senhor em toda a sua plenitude, e, por isso, temos de estudar as Escrituras sempre ou, como ensinam os rabinos judeus, até o momento da morte, pois, ainda que alguém aprendesse tudo a respeito da Bíblia, deveria continuar estudando para não esquecer o que tivesse aprendido. Os mestres surgem da meditação na Palavra de Deus (Sl.119:99).
OBS: É oportuno verificar que nem mesmo as crianças estavam dispensadas da leitura da Palavra, que a lei de Moisés havia determinado que ocorresse de sete em sete anos – Dt.31:9-13. Parece mesmo, pelo contexto, que um dos públicos-alvo desta leitura eram precisamente as crianças que não estivessem tendo uma regular educação doutrinária nos lares por parte de seus pais.
- Este interesse em ler a Palavra de Deus era um interesse que não se constituía num desejo momentâneo ou passageiro, num “fogo de palha”, para se utilizar uma linguagem popular. O texto diz que o povo estava atento ao livro da lei e que ficaram ali durante toda a manhã, desde a alva, isto é, por volta das seis horas da manhã até o meio-dia ouvindo a leitura da Palavra. O povo todo prestava atenção, não havia o “mercado de peixe” que se encontra em algumas congregações na atualidade quando se lê a Bíblia, nem tampouco se olhava para o relógio com impaciência e pressa, como também se vê atualmente. Pelo contrário, o povo tinha prazer em ler a Palavra (leitura que era feita mediante participação na leitura em voz alta de Esdras). A atenção demonstrava a reverência que havia no povo, reverência que também se manifestou por dois outros fatos mencionados no texto, a saber(Ne.8:4,5):
a) foi construído um púlpito de madeira para Esdras com o fim específico de ele ler o livro da lei – criou-se um local destacado para a leitura da Palavra, denotando a importância que o povo dava a esta leitura.
b) todo o povo ficou de pé quando Esdras abriu o livro para o ler – este gesto de o povo se levantar representava, na cultura judaica, o reconhecimento de que a lei era a mestra do povo, era a fonte de sua instrução (levantava-se diante de um mestre). O povo, assim, reconhecia a necessidade de aprender de Deus na Sua Palavra.
- A leitura devocional da Bíblia é uma forma de adoração a Deus. Neste mesmo texto que nos serve de base para a análise da reverência que se deve ter na leitura das Escrituras, vemos que Esdras louvou ao Senhor, sendo seguido pelo povo que, então, puseram seu rosto no pó e adoraram a Deus. Quando lemos a Bíblia com reverência, fazemo-lo com o espírito contrito, com profundo reconhecimento do senhorio de Deus sobre nossas vidas e de Sua majestade e glória. Não é, portanto, estranho que, em meio à leitura, ou ao seu término, estejamos a chorar, a louvar e a bendizer o Senhor.
- A leitura devocional da Bíblia, também, gera a sensação de nossa insignificância e da nossa imperfeição. Com efeito, como nos ensina o apóstolo Tiago, quando lemos a Bíblia, estamos diante de um espelho que nos revela como somos, sem quaisquer subterfúgios humanos, sem quaisquer considerações ilusórias do nosso ego (Tg.1:22-25).
- A Bíblia, como é a verdade, mostra precisamente como somos, o que temos feito que tem agradado a Deus e o que temos feito que tem desagradado ao Senhor. Por isso, muitos, que endurecem seu coração para Deus, fogem do texto sagrado, não querem dele saber, porque ele os está condenando em sua vã maneira de viver. Preferem os “louvorzões”, as “danças proféticas”, o “agito”, enfim, tudo aquilo que não permita que haja a leitura e exposição da Bíblia Sagrada, a fim de não sentirem que estão em pecado. Entretanto, mal sabem eles que de nada adiantará tais evasivas, pois, no último dia, a Palavra dita pelo Senhor os há de julgar (Jo.12:47,48)
III – A LEITURA DEVOCIONAL DIÁRIA DA BÍBLIA
- Cada crente deve procurar ler a Bíblia inteira regularmente, numa freqüência que corresponda a suas possibilidades, sendo um bom costume o de procurar ler a Bíblia inteira durante um ano, conquanto não seja esta uma regra ou um mandamento. Ler a Bíblia, também, não é uma leitura comum ou superficial, mas deve ser, como manda a Bíblia, uma meditação, ou seja, uma leitura feita não apenas com a mente, mas também com o coração. Ao lermos a Bíblia, devemos estar concentrados em sua mensagem, com nossa atenção voltada para o texto e para mais coisa alguma.
- Em segundo lugar, devemos ter pleno conhecimento do significado de todas as palavras do texto, recorrendo, se necessário, a dicionários (e aqui falamos, em primeiro lugar, dos dicionários da língua, mesmo, não tanto dos dicionários bíblicos, que devem ser pesquisados num segundo momento, para aprofundamento do significado). Em seguida, é importante que possamos verificar, no texto, relações com outras passagens bíblicas (e para isto, é inestimável o valor das referências bíblicas). Por fim, numa contextualização, devemos observar no que o texto está falando conosco e com os nossos dias, agindo, neste instante, como pessoas que estão diante do espelho, que é a Palavra de Deus. Como estamos vivendo? Como tem sido a nossa vida diante do que expõe a Palavra do Senhor? Num exercício desta natureza, por exemplo, temos notado que, muitas vezes, ao lermos alguns episódios do ministério de Jesus Cristo, fomos levados a, sinceramente, admitir, que ainda agíamos mais como os fariseus e religiosos do que como nosso Mestre.
- Não nos esqueçamos de que o próprio Jesus constituiu pastores e doutores na igreja, cujas principais tarefas são o ensino da Palavra, exatamente para fornecer o aperfeiçoamento dos santos (Ef.4:11,12), prova de que o estudo e a meditação da Palavra do Senhor são indispensáveis para que possamos nos aperfeiçoar, crescer espiritualmente. A falta de conhecimento da Palavra tem como principal conseqüência a inanição espiritual, que gera crentes carnais, o que traz enormes prejuízos para a obra de Deus (cfr. I Co.3 e Hb.5:12-6:3).
- Daí porque, na passagem acima aludida da leitura da lei por Esdras ao povo, após a leitura que se estendeu da alva até o meio-dia, ter o povo passado a ser ensinado pelos levitas, quando o povo estava no seu posto, ou seja, nos locais onde haviam acampado a fim de celebrar a festa dos tabernáculos. Depois de terem ficado seis horas em pé ouvindo a Palavra, o povo ainda teve disposição de estudar a lei de forma mais aprofundada, de esclarecer as suas dúvidas junto àqueles que haviam sido escolhidos para serem ensinadores das Escrituras.
- Temos hoje muita falta de ensinamento da Palavra de Deus. É indispensável que haja oportunidade para que aqueles que o Senhor tem instituído na Sua Igreja para serem mestres possam se aproximar dos irmãos em Cristo e instruí-los nas Escrituras. Muitos, que pelo tempo deviam já ser mestres, ainda estão engatinhando na Bíblia Sagrada, não têm qualquer maturidade espiritual (Hb.5:12-14).
- A Escola Bíblica Dominical é a reunião adequada para este tipo de ensinamento, porque nela os crentes têm a oportunidade de fazer perguntas, de questionar os pontos que não estão a entender, pois ler não é entender, que o diga o eunuco da rainha Candace (At.8:30,31). Jesus continua tendo o mesmo interesse em que Seus servos sejam esclarecidos daquilo que leram mas não compreenderam. Para tanto, é necessário que haja a mesma disposição que houve em Filipe e que estes Filipes possam entrar em contacto com os que estão sedentos de esclarecimento.
- Muitos estão a propagar, por aí, que a Escola Bíblica Dominical já não tem mais lugar nos dias de hoje, que é uma estratégia ultrapassada ante as mudanças sociais operadas no mundo, muito diferente daquele em que se iniciava a industrialização na Inglaterra, quando Robert Raikes criou a Escola Bíblica Dominical tal como a conhecemos hoje. No entanto, a EBD somente deixaria de ser necessária se houvesse um outro espaço em que se pudessem elucidar dúvidas a respeito das Escrituras nas igrejas locais com liberdade, intimidade e presença de Deus ou se não houvesse um estado em que tais dúvidas não mais existissem. O que se percebe, pelo contrário, é que o atual nível de informações acessíveis e as características da vida moderna tornam ainda mais necessária a existência deste espaço de dúvidas, até porque maior a iniqüidade e a falsificação da Palavra nos dias atuais. Como dizer, então, que a EBD está ultrapassada?
- Não é à toa que, como vimos supra, está aumentando e não diminuindo o número daqueles que nada sabem a respeito das Escrituras dentro das próprias igrejas locais, sem se falar no aumento da apostasia e da frieza espiritual entre os que cristãos se dizem ser, a nos mostrar que, mais do que nunca, é necessário que não só se retome a leitura devocional da Palavra por parte dos crentes, como também que haja espaços nas igrejas locais para que haja o devido ensinamento da Palavra, como ocorreu nos dias de Esdras.
- Não fosse o ensinamento e esclarecimento da Palavra, todo aquele avivamento teria naufragado, visto que o povo, ao perceber a sua pecaminosidade, passou a chorar e a se lamentar, a querer desanimar. Foi, então, que o Senhor usou os levitas para que o povo compreendesse que o fato de as Escrituras revelarem nossa miserável situação diante de Deus não é motivo para tristeza, mas para gozo, pois a alegria do Senhor é a nossa força (Ne.8:10). Levar o povo a ler as Escrituras mas não haver como esclarecê-los é dar lugar ao diabo para que distorça tudo e transforme os bons intentos que têm todas as condições para nos levar a uma vitória espiritual a uma derrocada muitas vezes irreversível. Como diz o apóstolo, jamais devemos dar lugar ao diabo (Ef.4:27).
- Além de termos uma leitura devocional diária da Bíblia Sagrada, para que venhamos a crescer espiritualmente, é indispensável que participemos de cultos de ensino da Palavra, cultos cujo principal interesse seja o da exposição da Palavra do Senhor, de forma a que venhamos a ter maior conhecimento da Bíblia Sagrada, bem como que sejamos assíduos participantes da Escola Bíblica Dominical, que é a atividade da igreja mais propícia para que, por meio do debate e da interação, possamos elucidar todas as dúvidas que nos surgirem e cheguemos à compreensão do exato significado da vontade de Deus para nossas vidas. Infelizmente, não é difícil encontrarmos igrejas locais em que os cultos de ensino e a EBD sejam as menos freqüentadas, assim como também não é difícil encontrarmos igrejas onde os cultos de ensino passam a ser mais um interminável desenrolar de usos e costumes, ao invés de um acurado estudo sobre as verdades bíblicas. Não é outro o motivo de não termos mais, hoje em dia, o mesmo nível de espiritualidade que caracterizaram as Assembléias de Deus nos primeiros anos de sua história quase centenária em nosso país? Não estamos sendo saudosistas nem desprezando os inegáveis progressos que o Senhor tem realizado no meio do Seu povo, mas se mantivermos esta transigência com a falta de estudo da Palavra de Deus, não poderemos pensar senão na continuidade deste retrocesso espiritual. É tempo de encontrarmos, como no tempo do rei Josias, a Palavra do Senhor em nossas casas de oração(II Cr.34:14-19)!
- Por fim, observamos que o crente sincero e verdadeiro, que quer crescer espiritualmente deve ser, sobretudo, ser alguém que tenha uma vida equilibrada, o que não é difícil para quem é convertido e, como tal, ostenta o fruto do Espírito Santo (Gl.5:22), que tem, como uma de suas qualidades, a temperança, ou seja, o domínio próprio, o equilíbrio. Dentro desta realidade, vemos que o crente que se conforma ao modelo bíblico, não despreza a oração, pois ora em todo o tempo, mas também não deixa em segundo plano a leitura e meditação na Palavra do Senhor. Disse Pedro que devemos crescer na graça e no conhecimento de Jesus (I Pe.3:18).
- Numa feliz observação, o pastor e escritor Severino Pedro da Silva afirma que a graça e o conhecimento são as duas pernas do cristão na sua caminhada para o céu. Se somente buscar a graça, numa vida incessante de oração, mas sem a meditação na Palavra, numa atitude anti-intelectualista (i.e., contrária ao estudo da Bíblia), não se terá um “crente fervoroso ou espiritual”, como dizem alguns, mas um crente manco, que será um fanático, que, facilmente, será enganado pelo inimigo, “…com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu…”(Cl.2:18), “…meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.”(Ef.4:14). De igual modo, o crente que somente se dedica ao estudo da Palavra de Deus, sem se dedicar à oração, numa atitude contrária à graça e ao fervor, será, também, um crente manco, um crente teórico, sem discernimento espiritual, pois, sem a ação e a comunhão do Espírito Santo, em meio a suas elucubrações, não será diferente dos filósofos da Grécia Antiga que, em todo o seu conhecimento, tentavam buscar ao Senhor, mas apenas o tateavam, sem conseguir encontrá-lo (At.17:27), torna-se uma pessoa que, apesar de examinar as Escrituras, não consegue ver a vida em Cristo que elas testificam (Jo.5:39,40), esquecendo-se de que …”ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus…” (I Co.2:11) e que “…o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las, porque elas discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual, discerne bem tudo e ele de ninguém é discernido.”(I Co.2:14,15).
- Como também costuma ensinar o irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, coordenador do Portal Escola Dominical, o crente, ao orar, tem vontade de ler a Bíblia e, ao ler a Bíblia, tem vontade de orar. Assim, uma atividade reclama a outra e, desta maneira, o crente pode dar seus passos vigorosos e seguros em direção à Jerusalém celestial, passos dirigidos (Pv.16:9;20:24; Jr.10:23) e confirmados pelo Senhor (Sl.37:23), passos que não resvalarão porque provenientes de quem têm a lei de Deus em seu coração (Sl.37:31), porque ordenados na Palavra (Sl.119:133).
- Vemos, pois, que, para andar, é preciso dar passos e que cada passo (pois passo é o “ato de deslocar o apoio do corpo de um pé a outro enquanto se anda em qualquer direção”), na vida espiritual, exige tanto a oração quanto a leitura devocional da Palavra, já que o passo é dirigido por Deus e é por meio destas duas ações que nos comunicamos, entramos em comunhão com o Senhor. Como, pois, pretendemos ir para o céu sem que tenhamos estas duas ações devidamente disciplinadas e feitas conforme a ordem divina nas Escrituras?
- Mancando, o crente não conseguirá, sozinho, chegar ao lar celestial (Hb.12:13). Que Deus possa nos abençoar e que, na nossa vida diária, no nosso dia-a-dia, possamos ler a Bíblia e fazer oração, para podermos crescer e ver o Senhor Jesus naquele dias nas nuvens. Amém !
Colaboração para o Portal EscolaDominical – Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco
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Abril 21st, 2008 at 2:52 pm
Abril 22nd, 2008 at 12:11 pm
A paz do senhor e salvador jesus cristo !
Abril 23rd, 2008 at 7:40 pm
Abril 24th, 2008 at 7:43 pm
Abril 25th, 2008 at 11:10 am
O que me deixa mais revoltado é quando um irmão usa o microfone dizendo e tecendo juizos sobre aqueles que estudam e duzem que não há unção no irmão, já ouvi varias mensagens de irmãos que não possuiam nem o primeiro grau completo e foram um benção, mas as melhores e mais profundas mensagens que fizeram meu coraçao tremer foram homens que dedicara a sua vida ao estudo e busca da unção de Deus.
Um abraço fiqeum na paz.
Wanderson Alves - Assembléia de Deus da Ceilandia norte
Abril 25th, 2008 at 11:38 am
Muitos tem a Palavra do Senhor como amuleto e ornamento para se dizerem tementes. Entramos em empresas e escritórios e constatamos a Bíblia aberta, amarelada, esquecida e empoeirada num canto qualquer.
DEUTERONÔMIO 31. 24 à 26 nos fala:
Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro, deu ordem aos levitas que levavam a arca da Aliança do SENHOR, dizendo: Tomai este Livro da Lei e ponde-o ao lado da arca da Aliança do SENHOR, vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti.
Esqueceram da Palavra da Lei. Guardaram o livro e não o observaram, nem meditaram no que foi escrito e determinado. O entendimento de tudo quanto foi a nós deixado, só se dá à medida em que lendo, formos meditando, é com o ruminar de um animal, que comendo volta a mastigar para que possa fazer digestão. Bom seria meditar Nela de dia e de noite.
2ª REIS 22.8, 11 e 13 diz :
Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do SENHOR. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu. Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes. Ide e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito.
Assim como ao rei Josias (filho de Davi), trouxe convencimento de suas transgressões, é a nós. Ela nos constrange em nossos erros e nos convence para nos arrependermos, eis que nos causa arrependimento diante de Deus. Queremos então, em nossa busca, compreende-La e ao buscá-Lo com todo nosso conhecimento intelectual e espiritual, procurar compreender a sua boa e agradável vontade..
2ª REIS 23.2 e 3 está escrito:
O rei subiu à Casa do SENHOR, e com ele todos os homens de Judá, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu diante deles todas as palavras do Livro da Aliança que fora encontrado na Casa do SENHOR. O rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança ante o SENHOR, para o seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este concerto.
O que Deus espera tanto de ricos e pobres, do mais alto ao mais humilde, sem distinção de posição social e intelectual, é que O busquemos em espírito e em verdade, isto é nossa missão, e é promessa desde o tempo de Moisés. Mas necessário é, que andemos em retidão segundo os seus preceitos.
-.- Quantos de nós de tanto ouvirmos pregações e de a pregarmos, nos tornamos insensíveis à voz do Espírito Santo, tornamo-nos como que cascudos e não nos damos conta dos nossos erros.
-.- Perdemos a Palavra de Deus dentro da Igreja, quando somos levamos a refletirmos que o púlpito fascina o pregador, pois conduz ao exercício do intelecto humano e nos julgamos detentores da verdade absoluta, sem consideramos que é o Espírito que convence, porque o Espírito Santo é que tem compromisso com a verdade. O pregador nem sempre, pois traz para si, muitas vezes, o papel de ser o consolador e orientador das coisas do juízo de Deus. Pronunciando então, benção e maldição sobre seu semelhante ( o que é o caso de algumas denominações que condenam o pecador pelo pecado incorrido, fazendo-se de Juiz e condenando pela deturpação da Palavra, outro pecador semelhante).
.-. A Palavra estava dentro do templo, mas estava perdida. A vontade determinada por Deus estava lá, mas, despercebida, esquecida.
-.- O púlpito não deve ser como aroma de perfume. Hoje se escuta, se percebe que é bom e agradável, mas amanhã ao pôr-se em prática o que se ouviu, de nada mais se lembra. Foi-se o agradável, ficaram as lembranças de um aroma que foi gostoso. Há aqueles que sempre estão buscando novamente mais do perfume, e não guardam para si, nem transmitem aos outros do aroma que foram contemplados. Seus testemunhos não condizem com as emoções que seus intelectos sentiram.
-.- Nós, os que já contemplados pela Graça de Deus, quase que sempre, temos a tendência de ficarmos pregando para nós mesmos, uns aos outros, e esquecemos do pecador que mora ao nosso lado, que trabalha , que estuda conosco, e ficamos nos alfinetando, querendo-nos ser maiores que outros e isto quando não damos mal testemunho de vida e de vivência espiritual no mundo que está de olho em nosso comportamento cristão.
-.- Infelizes de nós que muitas vezes, vamos à Igreja já com as pedras na mão, querendo derrotar o Golias, jogando pedra em nosso irmão de banco e quando não, no pregador que se esforça em fazer a vontade de Deus. Esquecemos que há um Golias dentro de nós que precisa ser derrotado. Nossa vaidade e soberba precisa ser derrubada ao chão e encravada na cruz é ali o lugar daqueles que se amam a si mesmos.
-.-Não julgamo-nos capazes de nos exercitarmos intelectualmente, e deixamos a cargo do Espírito Santo nos trazer à consciência, a convicção dos nossos erros e decepções. Esquecemo-nos que é a consciência que traz convicção, e a convicção, produz entendimento, que produz fé, não só para nós mesmos, mas para que os outros possam ver a fé que nos faz brilhar no mundo em trevas, do qual fomos resgatados por preço de sangue, vertido pelo REDENTOR, que veio fazer cumprir a PALAVRA QUE SE HAVIA PERDIDO DENTRO DO PRÓPRIO TEMPLO.
Que possamos ter em mente sempre:
1 Timóteo 1:15 Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.
Por que devemos meditar sempre na Palavra de Deus?
Porque cuidamos nela ter a vida eterna e são elas que de Jesus testificam (João 5.39)
Valdir Carvalho – Cascavel-Pr, 25.4.2008
Abril 25th, 2008 at 8:45 pm
Romanos 15:4 Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
Em nenhum outro livro há tanta consolação para as nossas necessidades. Buscamos nele uma palavra que satisfaça as nossas angústias, provenientes dos nossos desencontros, nossas desavenças emocionais, nossas calamidades financeiras, nas nossas enfermidades, na falta de uma orientação humana, nos nossos dissabores cotidianos, enfim, para todas as coisas, Deus se faz ser notado pela sua Palavra que se torna viva e eficaz, mesmo para aqueles que dizem não crer, ali sempre haverá uma eficiente Palavra de orientação, consolação e estimulo.
Não há como Deus realizar o que Ele inspirou os homens do passado à escreverem, se não atentarmos que o que está escrito é verdade, e é para todos. Deus não é homem que se arrependa nem filho de homem para que minta. Deus quando quer mostrar-se aos que O buscam, não aparece como Deus de confusão. Na sua Palavra está que a sua Palavra se renova a cada manhã, não é como querem alguns, em dizer que o que está escrito é coisa do passado, proveniente daqueles e somente para aqueles dias.
Grandes homens, como o Presidente norte americano, George Washington, dizia:
“ É impossível governar sem Deus e sem ter a Bíblia”
-D.Pedro II, dizia “que amava a Bíblia e a lia todos os dias e dizendo que ela era simples e que quanto mais a lia, mais dela gostava”.
-Napoleão Bonaparte mencionava “que a Bíblia é um organismo vivo, que conquista todos quanto se opõe a ela.”
Posso ler a Bíblia como um grande livro de histórias, sem que me traga algo de renovo na minha crença, na religiosidade ou na minha espiritualidade, mas não é para isto que Deus deixou sua Palavra, a sua Palavra é que me fará libertar dos meus enganos, me dará entendimento para trilhar caminhos nunca dantes percorridos ou possibilitará o reencontro do caminho já trilhado, aquele que me possibilita voltar à casa do Pai.
Podem os homens mudar, mas a Palavra de Deus é fiel pelos séculos, ao surgimento como Bíblia, até os dias de hoje, tornou-se o livro mais vendido e mais confiável como texto que traz paz às necessidades humanas. A inerrância dos seus testamentos, preceitos e mandamentos, é algo que pelos dias dos homens não foi possível ser desmentido. Entretanto, entendido e acatado ainda é em partes, mas devemos procurar desenvolver e buscar sabedoria, que nos possibilite crescer no conhecimento para que não pereçamos nas garras no nosso inimigo.
Hoje, sabemos que alguns teimam em desmentir o que está escrito, procurando desacreditar a Deus, mas sem lograr êxito, procurando provar que Ele não exista, para que os homens não venham a teme-Lo, contudo, não conseguem penetrar nas profundezas dos mistérios do Criador, pois Ele inspirando pessoas no passado, nos deixou um legado, para que pudéssemos pactuar dos seus propósitos de capa à capa das Sagradas Escrituras: a revelação para redenção humana.
A inspiração dos grandes de Deus se deu para que por eles, conseguíssemos entender o plano da redenção, quando nos delegou mandamentos à que venhamos produzir frutos de arrependimento, e que por estes, venhamos estar segundo os seus planos como herança para a redenção dos povos. Aos que nos antecederam, para os que estão, e ao das futuras gerações que nos sucederão.
A doutrina bíblica que nos foi dada como perfeita vontade do Criador, segundo inspirou a homens, concedendo-lhes predições e revelações de coisas futuras, fez com que hoje necessitemos rever nossos posicionamentos, pois podemos estar em desconformidade ao que nos foi imposto. Imposto aos que lutam pela salvação de suas almas, ou o desrespeito dos homens ao que foi escrito, o que possa causar aborrecimentos futuros pela ignorância em dizer que ali só há palavras. É preciso crer.
A infabilidade da Bíblia tem uma função específica que é dizer que ali tem preceitos que proporcionam fé e que isto agrada a Deus, pois Ele por sua Palavra predita, causa a esperança dos que crêem à salvação.
Não há como ter fé, se não acreditar nas Sagradas Escrituras, diria mais, não há como dizer: “existo” sem crer que há um criador, pois, do nada não podemos ter vindo, somos feitura e semelhança a alguém, e cremos pelo que aceitamos que é verdade, que temos um Deus que nos criou e propiciou vida. Isto é garantido pela Palavra que temos como VERDADEIRA e que conta como herança o nosso legado como raça que caminha fazendo sua história, uns para condenação, outros para a salvação eterna.
Infelizmente há os que procurando agradar-se mutuamente, acrescentam às letras sagradas, algo como que complementando o que está escrito, acarretando descrença de muitos fiéis, quando por ventos de doutrina procuram desacreditar o contexto sagrado, ainda que por breve momento às sagradas escrituras, como que surgindo a serem os revolucionários do evangelho e da antiga Boa Nova de Cristo, anunciada em tempos passados, e não entendida por aqueles que o crucificaram, que ainda continuam amantes de si mesmos e senhores dos seus ventres no tempo presente.
A piedade como forma de amar as coisas divinas, nos propicia momentos de grande júbilo, sendo guiados pelo Espírito Santo, Ele nos conduz a entendimentos alheios à grande maioria dos homens que sem temer a Deus, procuram sua própria sabedoria, não a sabedoria que vem de Deus, pervertendo os sagrados costumes e procurando a satisfação pessoal. O júbilo é para os sinceros de coração.
Hoje Deus ainda nos fala, mas procura filhos que tenham discernimento do que seja sua Palavra, e do que seja o coração enganoso dos “seus” profetas, que pecando contra Deus muitas das vezes colocando-O como mentiroso, já que suas “profetadas” não se cumprem.
Até podemos ter as letras sagradas no nosso intelecto, sem que a tenhamos nos umbrais do nosso coração, Deus não quer mais sacrifício de tolo, e sim quer um coração sincero, rasgado às suas coisas, em que venhamos acatar os seus mandamentos para que por eles possamos obter santificação, que nos produzirá à salvação.
Há os que sabem que ali está escrito, sem contudo atentar para tão grande galardão proposto, que é o escape da condenação da alma no grande dia do Senhor. Saber não basta, é necessário crer para obter.
A sabedoria que vem de Deus, produz frutos; a do homem é perversa e tendenciosa, a que Deus concede é para salvação daqueles que nos escutam.
A orientação é para que pela nossa pregação nos vejam como luzeiros que a cada manhã produz mais e mais luz, até ser dia perfeito, como perfeito é Aquele que nos chamou e nos deu de graça da luz pelo jorrar das águas da sua fonte. Jesus que nos impulsiona a seguirmos adiante.
O consolo que produz a Palavra de Deus é para aqueles que não só O tenham como Deus, mas também como Senhor de suas vidas.
Pode outro livro produzir orientação à salvação? Por mais intelectual que algum homem tenha sido, por mais elevado grau de inteligência que possa ter, não se compara aos que pelo Espírito Santo foram conduzidos a escrever grandiosidades Celestes, à que toda a humanidade creia que há um Deus, que enviou seu Filho para remir tanto uns como outros, objetivando REDENÇÃO DE TODA CARNE, por CRISTO JESUS o NOSSO SENHOR E SALVADOR.
Valdir Carvalho – Cascavel-Pr, 25.4.2008
Maio 1st, 2008 at 11:26 am
peço que se for possível me esclareça o v.98 do salmo 119 que diz Os teus mandamento me fazem mais forte do que meus inimigos; porque aqueles estão sempre comigo.
A proposto quem são aqueles que disse o salmista. São: os inimigos ou os mandamentos.
Eu sou professor da classe dos Senhores da escola dominical e afirmei que era os inimigos que estão sempre ao nosso redor, por favor meu irmão me tire essa dúvida.
Que a Paz do Senhor esteja sempre com o amado Irmão.
Maio 2nd, 2008 at 12:04 pm
Salmos 38:19
Mas os meus inimigos são vigorosos e fortes, e são muitos os que sem causa me odeiam.
Meu irmão, provavalmente o salmista era perseguido por inúmeros inimigos,, pois dentro da biblia, é o que mais fala em MEUS INIMIGOS, e os tinha dentro da sua própria casa, eis que seus filhos o queriam ao longe , o que o fizeram, já que Absalão se usurpou do reinado e fez com que Davi e sua esposa junto com Salomão ainda pequeno fugisse para fora do seu reino.
Nos dias de hoje, poderemos te-los bem próximo de nós, tais como nossa esposa, os espôsos, os filhos, os que não entendendo os PROJETOS de Deus em nossas vidas, fazem de tudo para que fiquemos ao longe deles. Na nossa igreja, os que CONCORREM juntamente conosco a serem observados aos cargos que se almejão e que já escrito estão no que ficam jogando tropessos (palavras) para nos inflamar ao contrário do que nos propomos.
Davi os tinha em quantidade, já que como servo, primeiro precisou combater os que lhe cercavam, SAUL e seus filhos e depois os que Saul mandava. Depois precisou afirmar-se e demonstrar ser UNGIDO também, para que o povo pudesse perceber que sobre ele havia UNÇÃO de mando, até para EXPULSAR demônios, como o fazia quando tocava sua harpa, eis que a UNÇÃO não estava na harpa, como querem dizer alguns, mas NAQUELE que a dedilhava, é como hoje, a unção não está no brilho das coisas que aparecem, mas nas hostes das quais não vemos e sobre aquele que delas propagam, já que a unção é algo que não se percebe, mas que se testifica.
Davi era aquele que despertava a inveja dos seus PARES contemporâneos, já que ERA SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS e quem não quer ser segundo o coração de Deus?
Ainda hoje, percebemos que algo daqueles que buscam a Deus, fere os interesses daqueles que procuram atender a Deus e seguem seus mandamentos. Porque estes são preceitos para quem almeja à vida eterna.
Veja o caso daquele que após Davi, foi imputado que sabedoria igual nunca mais haveria, seu próprio filho Salomão, homem que deu prosseguimento às determinações sobre Davi.
É subjetivo e particular importância o texto em que aprece que David era mais sabedor que os inimigos, pois os próprios “inimigos” se apercebiam da “diferênça” que despertava neles maior “inimizade” contra o rei. Que andando segundo o coração de Deus, fazia britar INVEJA dentro da sua própria casa. E inveja aborrece o invejoso a ponto de fazer-se INIMIGO dos de perto, porque estes sempre os temos conosco. O s de longe precisam andar pelo caminho para se nos aproximar-sem, e neste percurso, poderão remoer seus pensamentos e constatar se necessário ainda desenvolver INIMIZADE aquele que se propõe ser inimigo, fortuíto até, sem causa e sem razão. Então os de perto são mais presentes. E, a estes devemos dar nossa maior atenção. Os que sem causa, causam TRANSTORNOS.
Dei minha contriuição à sua questão. Obrigado por ter me propiciado esta reflexão. Deus o abençõe.
Valdir Carvalho- Cascavel-Pr