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Sara, uma mulher submissa - 1

SARA, UMA MULHER SUBMISSA

Dr. Caramuru Afonso

Fonte: www.escoladominical.com

A vida de Sara é um exemplo de submissão, característica que não se restringe apenas às mulheres, mas que também deve existir nos homens, pois, antes de mais nada, devemos ser submissos a Deus.

 INTRODUÇÃO

 - Nesta lição, voltando ao Antigo Testamento, estudaremos a vida de Sara, tendo o ilustre comentarista realçado nesta personagem a característica da “submissão”. Se é verdade bíblica que as mulheres devem ser submissas ao marido e Sara é um exemplo desta submissão (I Pe.3:6), também não podemos confundir a submissão bíblica, que é o nosso tema, com o padrão cultural da “escravidão” feminina, que é conseqüência do ingresso do pecado no mundo (Gn.3:16).

 - A submissão de Sara a Abraão, um exemplo a ser seguido pelas mulheres em relação a seus maridos, tem, como devido e indispensável contraponto, a submissão de Abraão ao próprio Deus e seu amor por Sara. Não é à toa que, entre os povos antigos, sempre foi o povo de Israel o que conferiu maior respeito e dignidade às mulheres, como também Jesus nos deu o exemplo da verdadeira igualdade de gênero, um objetivo que a humanidade sem Deus tenta, sem resultado, alcançar.

 I – A BIOGRAFIA DE SARA(I) – SARAI, A MULHER ESTÉRIL DO PATRIARCA ABRÃO

 - “Sarai” surge nas Escrituras Sagradas, pela vez primeira, em Gn.11:29, quando é apresentada como mulher de Abrão, quando o escritor sagrado relata a genealogia dos descendentes de Sem, filho de Noé. “Sarai” significa, em hebraico, “Yahweh é príncipe”, um nome elucidativo, vez que retrata um monoteísmo que não era próprio dos moradores de Ur dos caldeus, cidade natal de “Sarai”.

 - Que “Sarai” seja natural de Ur dos caldeus temos conhecimento em Gn.11:31, quando o texto bíblico nos informa que Terá (em hebraico, “Teráh”), pai de Abraão, saiu dessa cidade e levou consigo seus filhos, indo habitar em Harã. Mais ainda, a Bíblia dá conta de que Terá tinha tido um filho chamado “Harã”, que tinha tido duas filhas, “Milca”, que se casou com Naor, outro filho de Harã e “Iscá”, cujo contexto nos dá a entender que se casou com Abrão, o outro filho de Terá (Gn.11:29).

 - Vemos, então, que, na verdade, o nome primitivo de Sarai era “Iscá”, cujo significado é “vigilante”, que passou a ser “Sarai”, cujo significado é “Yahweh é príncipe”, nome que, como já dissemos, revela um monoteísmo, que não existia em Ur dos caldeus. Tudo isto relacionado com a retirada de Terá de Ur para Harã, um abandono de Ur.

 - Ora, como tem sido demonstrado pelos historiadores e arqueólogos, por volta de 1897 a.C., provável época em que Abrão partiu em direção a Canaã, Ur era uma das mais desenvolvidas cidades da Mesopotâmia, localizada a cerca de 160 km de Babilônia, às margens do rio Eufrates (atual Iraque), cujas habitações eram extremamente confortáveis, superiores às que se fariam, posteriormente, na Babilônia.

 OBS: “”…E como seus habitantes moravam confortavelmente! Como eram vistosas suas casas! Em nenhuma outra cidade da Mesopotâmia foram descobertas habitações tão esplêndidas e confortáveis. Comparadas a elas, as habitações que se conservaram da Babilônia parecem pobres, miseráveis mesmo. O prof. Koldewey, nas escavações alemãs realizadas no princípio deste século, só encontrou construções simples de barro, de um andar, com três ou quatro cômodos, envolta de um pátio aberto. Assim vivia também a população da tão admirada e louvada metrópole do grande babilônio Nabucodonosor. Os cidadãos de Ur, ao contrário, já 1.500 anos antes, viviam em construções maciças em forma de vilas, a maioria de dois andares, com treze a quatorze cômodos. O andar inferior era sólido, construído de tijolos cozidos num forno; o de cima, de barro, as paredes caiadas de branco. O visitante transpunha a porta e entrava num pequeno vestíbulo onde havia pias para lavar a poeira das mãos e dos pés. Daí passava ao grande e claro pátio interior, cujo chão era lindamente pavimentado. Em volta dele se agrupavam a sala de visitas, a cozinha, as demais salas e quartos também para os criados e o santuário doméstico para uma escada de pedra, sob a qual se escondia a privada, subia-se a uma antecâmara circular para onde abria os quartos dos membros da família e dos hóspedes. Sobre muros e paredes demolidos reapareceu, à luz do dia, tudo o que havia integrado as mobílias e a vida naquelas casas aristocráticas. Inúmeros fragmentos de potes, cântaros, vasos e tabuinhas de barro com inscrições foram compondo um mosaico pelo qual foi possível construir pedrinha a pedrinha a vida cotidiana de Ur. A Ur dos Caldeus era uma capital poderosa, próspera, colorida e industriosa no começo do segundo milênio antes de Cristo.…” (Ur. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ur Acesso em: 117 jul. 2007).

 - Ur, como também demonstram as pesquisas, era uma cidade idólatra, onde se adoravam vários deuses, em especial, o deus da lua, chamado “Nannar” e a sua esposa, chamada “Nin-Gal”, adoração feita em verdadeiras “fortalezas”, construções em forma de torres, denominadas de “zigurates”, resquícios da rebeldia ocorrida em Babel (Gn.11:4). Terá ali vivia e, repentinamente, deixou a cidade, indo para Harã, gesto este que se entende ter ocorrido quando Deus falou com Abrão (At.7:2), ou seja, após a revelação do único Deus a Abrão. Assim, o fato de “Sarai” passar a ser assim chamada e não mais “Iscá” pode estar relacionada com esta mudança decorrente da revelação de Deus a Abrão, revelação ao qual Terá teria aderido. Os muçulmanos, inclusive, crêem que Sarai foi a primeira pessoa a ter crido na idéia do Deus único, antes mesmo de ter se casado com Abrão, a quem tal idéia havia sido revelada.

 OBS: A tradição muçulmana, que considera Abrão como o “primeiro islâmico”, ou seja, o primeiro a se submeter a Deus, narra uma série de conflitos entre Abrão e o povo de Ur precisamente porque adotou o monoteísmo em detrimento ao politeísmo idólatra dos caldeus e que teria sido esta a razão da sua partida daquela cidade. Aliás, segundo esta tradição, Sara teria sido a primeira pessoa a crer na mensagem monoteísta de Abrão e tal crença teria sido a razão de ambos terem se casado. Evidentemente que tais tradições não podem ser acolhidas com a mesma veracidade do texto bíblico, mas como o islamismo nasceu de elementos judaicos e cristãos, servem tais idéias como indícios do que pode ter ocorrido.

 - Apesar de estar vinculada, de modo especial, a esta revelação do Deus único, Sarai tinha um grande problema. A Bíblia diz-nos que ela era estéril e, por isso, não dera filhos a Abrão (Gn.11:30). Esta circunstância na vida de Sarai era um gravíssimo problema, notadamente naquela época, pois a esterilidade era associada, sempre, a uma maldição divina. A principal função da mulher, na sociedade patriarcal da Antigüidade, era a de gerar filhos e uma mulher estéril era, portanto, uma completa inutilidade. A presença de mulheres estéreis no meio do povo sempre foi considerada sinal de maldição (Ex.23:26; Dt.7:14; II Sm.6:23).

 OBS: A esterilidade foi tão mal vista entre os judeus que, no Talmude (segundo livro sagrado do judaísmo), estabeleceu-se a obrigatoriedade do divórcio caso a mulher não gerasse filhos no prazo de dez anos.

 - Não era, pois, fácil a vida de Sarai em Ur dos caldeus. Além de ter crido na idéia do Deus único de seu marido Abrão, a ponto de ter alterado seu nome para exaltá-lO, era, ademais, estéril, ou seja, uma “amaldiçoada” aos olhos do povo. No entanto, e aqui está um primeiro passo para a compreensão da submissão de Sarai, apesar de tudo isto, Abrão não a deixou, nem a desamparou, mantendo-se como seu companheiro, ou seja, demonstrou que a amava. A submissão a alguém é uma reação ao amor deste alguém.

 - Terá saiu de Ur e foi para Harã. Ali morreu e, então, Deus mandou a Abrão que deixasse também Harã e fosse para um lugar que Ele lhe mostraria. Abrão, então, saiu com todos os seus bens e partiu. Sarai, demonstrando toda a sua submissão e confiança em seu marido, acompanhou-o, apesar de não saber para onde Abrão estava indo. Este seu gesto demonstra como Sarai era uma mulher de fé, que confiava plenamente em seu marido e em Deus Sarai é uma heroína da fé, como vemos em Hb.11:11.

 

- O texto sagrado diz-nos que Abrão tomou, em primeiro lugar, a Sarai, quando partiu (Gn.12:5), a indicar, portanto, que Sarai foi a primeira pessoa que decidiu acompanhá-lo, a primeira pessoa a quem Abrão disse a mensagem que havia recebido de Deus. Sarai cumpria, assim, a função principal de toda mulher, que é a de ser adjutora de seu marido, ou seja, de estar diante dele, de lhe dar o necessário e indispensável apoio e complemento. Homem e mulher completam-se, são complementares, necessitam um do outro para que se tenha uma perfeita unidade e união na presença do Senhor.

 - O texto de Gn.12:5 indica-nos, também, que não havia como Abrão atender ao chamado divino se não se fizesse acompanhar de Sarai. O plano divino para Abrão era dele formar uma grande nação e, para tanto, indispensável era a presença de Sarai. Apesar de ser estéril, de não lhe ter dado filhos até então, Abrão, em momento algum, titubeou quanto ao fato de ser Sarai a mulher com quem Deus cumpriria a Sua promessa. Abrão não pensou, apesar dos costumes de seu povo, em momento algum, em se desfazer de Sarai, amava-lhe e sabia que, se ela havia aceitado ser sua mulher e, mais do que isto, passara a compartilhar da mesma fé no Deus único, não havia como sequer se conceber a idéia de buscar uma outra mulher que não Sarai. Abrão não somente mostrava que passava a crer no Deus único, abandonando o politeísmo resultante da rebeldia dos gentios em Babel, como também retornava ao princípio divino da monogamia.

 - Um dos primeiros traços que vemos, pois, neste gesto de Abrão é de que houve uma valorização do casamento como forma única de constituição legítima de uma família, princípio este que, nos dias em que vivemos, sofre, como tudo que foi criado por Deus, implacável perseguição e menosprezo, num mundo que vê, a cada dia que passa, a intensificação do “espírito do anticristo”, do “mistério da injustiça”, que se levanta contra tudo que diz respeito ao Senhor (II Ts.2:3,4). A primeira pessoa a quem Abrão comunicou sua decisão foi a Sarai e, em retribuição a esta consideração, Sarai foi a primeira a lhe acompanhar. Têm os maridos, notadamente os maridos que são cristãos genuínos, este mesmo comportamento em relação às suas mulheres? Será que muitos maridos já não estão a descobrir a razão de sua atual solidão, de seu isolamento no lar?

 - Mesmo em meio a uma sociedade patriarcal (isto é, uma sociedade em que predominava, de modo absoluto, a figura masculina), numa época em que a mulher valia menos do que muitos bens (como, aliás, ocorre, ainda em grande medida, nas sociedades muçulmanas do Oriente Médio), a Bíblia mostra-nos que Abrão, em primeiro lugar, tomou a sua mulher Sarai, depois seu sobrinho Ló e, só então, os seus bens, para sair de Harã. Sarai era valorizada acima do patrimônio, acima até dos parentes de Abrão. Que distinção tinha Sarai, que exemplo para os maridos que dizem servir a Cristo e que, por isso, são verdadeiros “filhos de Abraão”! A submissão de Sarai era reação a esta valorização que recebera de seu marido.

 - Sarai ocupava, assim, uma posição de ajudadora, de companheira, de alguém que estava ao lado de Abrão. Submissão, portanto, em absoluto significa uma situação de inferioridade, de tirania, de escravidão, de espezinhar. Há muitos que confundem a posição de submissão da mulher, que tem em Sarai o mais vívido exemplo bíblico, com estas circunstâncias, tão próprias da cultura latino-americana. A mulher não foi retirada dos pés do homem, mas, diz-nos o texto sagrado, Deus retirou uma costela de Adão para formar a mulher (Gn.2:21), ou seja, do lado do homem, para mostrar ao homem que a mulher não lhe era nem inferior, nem superior, mas uma igual, um complemento, uma companheira. Era assim que este homem chamado Abrão tratava a sua mulher, um modo totalmente estranho e diferente do de seu tempo e, nós, como seus “filhos”, devemos ter uma conduta idêntica, que é muito diferente daquela que o mundo nos oferece e apresenta.

 - Partindo Abrão para uma terra que não sabia qual era, Sarai foi com ele, sem questioná-lo, sem pedir-lhe explicações, mas na confiança, na submissão, submissão que, como já vimos, era a reação do tratamento com amor e consideração com que Abrão lhe tratava. Deus, então, falou com Abrão e lhe mostrou qual era a terra e ali Abrão edificou um altar (Gn.12:7). Sarai a tudo contemplava, percebendo, pois, que seu marido estava na direção do Senhor e mantinha com ele íntima comunhão. Não nos esqueçamos de que ela era “Iscá”, ou seja, a “vigilante”.

 - Vieram, porém, as dificuldades. Na vida com Deus não estamos livres dela. Muito pelo contrário, a vida com Deus debaixo do sol só nos traz uma certeza: a de que teremos, neste mundo, aflições (Jo.16:33). A fome chegou e não poupou Abrão e, por causa disto, o velho patriarca resolveu peregrinar no Egito. Deus não lhe disse para fazê-lo e, durante a estada de Abrão no Egito, não vemos a edificação de qualquer altar ao Senhor, prova de que Deus não estava neste negócio.

 - Antes que entrassem no Egito, porém, vemos que Abrão foi, uma vez mais, conversar com Sarai a respeito da estratégia que deveriam ter naquela terra (Gn.12:11-13). Abrão era um marido participativo, que tinha consideração por Sarai e, por causa disto, antes de tomar decisões, com ela conferenciava, com ela mantinha um diálogo. Submissão é reação a um diálogo, a uma direção participativa. Quando o marido, a quem incumbe a direção do lar, compartilha seus projetos e planos com sua família, a começar de sua mulher, obtendo o consenso, misturando a racionalidade, que é uma ação tipicamente masculina, com a sensibilidade, que é qualidade tipicamente feminina, além de as chances de acertos aumentarem consideravelmente, tem-se a obtenção do consenso, que confere autoridade, legitimidade a toda e qualquer decisão.

 - Abrão, então, conferenciou com Sarai e, ante a beleza de sua mulher, pediu-lhe que omitisse que eram casados, que dissesse apenas que se tratava de sua “irmã”, visto que era sobrinha dele, uma “meia-verdade” que tinha por objetivo principal a proteção da própria vida de Abrão. À evidência, aquela atitude de Abrão era vergonhosa, uma demonstração de covardia, sem falar no menosprezo pela própria Sarai. No entanto, Sarai consentiu com esta meia-verdade, que era uma “mentira inteira”, a fim de dar ao marido a segurança necessária para a vida dele.

 - Sarai demonstra, assim, toda a sua devoção ao marido. Mesmo sendo menosprezada ante Abrão, mesmo diante de uma omissão que configurava uma mentira, uma conduta reprovável e que não era digna de um homem que dizia servir ao Deus único, Sarai, por amor, aceitou participar desta “meia-verdade”. Não foi uma conduta correta, visto que acima dos laços familiares está a nossa fidelidade a Deus, mas tal realidade só seria cabalmente demonstrada e revelada milênios adiante, com Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mc.10:29). Entretanto, Sarai sabia que era tratada bem melhor do que todas as demais mulheres de seu tempo e não considerou que um pequeno menosprezo, em defesa da vida de seu marido, valia a pena.

 - Sarai mostra, assim, seu amor para com seu marido. Para ela era mais precioso ter o seu marido ao lado do que correr o risco de perdê-lo. Sarai pensava sempre no bem-estar de seu marido, não só no ponto-de-vista material, mas, também, sob o aspecto psicológico e emocional.Muitas mulheres, na atualidade, vêem nos maridos tão somente o provedor, único ou juntamente com ela, esquecendo-se de que se trata de um ser humano, que também necessita de afeto, segurança e ambiente psicológico favorável. Cabe à mulher propiciar estas circunstâncias, mesmo que isto signifique uma certa renúncia, pois não há amor onde não haja um componente de renúncia, de abnegação, ou seja, de negação de si mesmo.

 - Sarai aceitou dizer que era apenas “irmã” de Abrão e isto aguçou os olhares cobiçosos de todos os príncipes de Faraó, porque ela, apesar de ter cerca de 65 anos de idade, era mui formosa, a ponto de ser Sarai levada para ser levada para a casa de Faraó. É interessante notar que Sarai, então com cerca de 65 anos de idade, era ainda uma mulher “mui formosa”. Deste episódio, tiramos algumas importantes lições.

 - A primeira lição é de que a beleza física, que a Bíblia chama de “formosura”, é um fator que faz com que se leve à concupiscência da carne. Vivemos dias de multiplicação do pecado, onde a imoralidade sexual atinge níveis comparáveis aos dos dias de Noé e aos dos dias de Ló, dias de grande perversão. Por isso, o inimigo tem feito proliferar, entre os homens, uma poderosa “indústria da beleza física”, quase sempre associado a um “culto ao corpo”. Embora o corpo não seja um mal em si (muito pelo contrário é algo que, por ter sido criado por Deus é algo intrinsecamente bom — Gn.1:31), devemos tomar cuidado para não exaltá-lo além da conta e de seu papel, fisgando a isca da “formosura”, que é a ante-sala da concupiscência da carne, ou seja, da cobiça que leva à imoralidade e à perversão sexual, um dos elementos de que se forma o mundo sem Deus e sem salvação (I Jo.2:16).

 - O Egito, que simboliza o mundo, é o lugar onde estão os cobiçosos, os imorais, os perversos. Sarai era mui formosa e isto era um dom divino para ela. Não é pecado ser fisicamente belo e tal beleza deve ser conservada, como tudo que Deus nos dá. Entretanto, não podemos consentir que a beleza física seja utilizada para o aumento do pecado, seja um estímulo à perversidade e à imoralidade. Sarai nada fez para que fosse cobiçada pelos egípcios, eles eram imorais e perversos por causa de sua natureza corrupta, mas também nada fez para estimular este estado de coisas. De igual maneira, as mulheres cristãs, a começar já das adolescentes, devem ter uma conduta que, embora não possa impedir os cobiçosos e perversos de comportamento inconveniente em relação a elas, não sirvam de estímulo nem incentivo para tais pecados.

 - Sarai foi tomada e levada para a casa de Faraó, o que somente foi possível por causa da “meia-verdade” que Abrão mandou que ela contasse, caso fosse interpelada. Querendo salvar a sua pele, Abrão quase arruinou a sua família e o próprio plano divino para si e para sua mulher. Não há “meia-verdade” que colabore para que o propósito de Deus se manifeste em nós. Abrão, que tinha uma mulher que, embora mui formosa, era honesta e pudica, quase perdia esta mesma mulher, correu o risco de ter maculado o seu casamento, porque quis guardar a sua vida.

 - Sarai manteve sua lealdade ao seu marido, disse ser sua “irmã” e acabou levada para a casa de Faraó. Não estava ali, porém, por sua livre e espontânea vontade, nem em conseqüência de sua má conduta, mas em razão da submissão a seu marido. Era inocente em relação a seu casamento e em relação a sua vida moral e, por isso, Deus a guardou, impedindo que houvesse mancha no casamento, como também na sua moral.

 - Assim como Deus fez com relação a Sarai, continua a fazer com todas as mulheres que se mantiverem fiéis ao Senhor em seu comportamento moral e familiar. Os dias são maus e difíceis, a violência e criminalidade aumentam vertiginosamente, mas Deus ainda guarda os Seus. Se as mulheres, sejam adolescentes, jovens, de meia idade ou idosas, mantiverem uma conduta de lealdade a Deus no casamento e na moral, serão, indubitavelmente, protegidas por Deus apesar de toda a maldade existente, apesar da violência cada vez mais crescente em relação à mulher.

 - Torna-se, porém, necessário e indispensável que as mulheres, mesmo as “mui formosas”, tenham o mesmo porte de Sarai, ou seja, não permitam que sua “beleza física” se torne um estímulo e incentivo à concupiscência da carne (e, para tanto, não devem adotar vestimentas e trajes indecentes, o que significa repudiar os “modismos” cada vez mais atrevidos e impuros da atualidade), bem como que tenham um comportamento de distanciamento deste tipo de gente perversa. Sarai foi tomada e levada à casa de Faraó, não convivia com estes egípcios sem moral e sem pudor. Tem sido esta a sua conduta social, querida irmã?

 

- Ainda no que diz respeito à prudência como Sarai se conduziu no Egito, é também interessante notar que o apóstolo Pedro, ao se referir à mulher de Abrão, em sua primeira epístola, fá-lo quando está a considerar o porte das mulheres. Assim, pelo que podemos inferir do texto bíblico, Sarai apresentava o porte que Pedro aconselhava para as mulheres cristãs.

 - A primeira qualidade apontada pelo apóstolo Pedro foi, precisamente, a castidade, ou seja, a pureza sexual (I Pe.3:2), que devia estar aliada ao temor, que não é o medo, mas a reverência, que também não é ao marido, mas ao Senhor. Sarai, cujo nome significa “Yahweh é príncipe”, tinha consciência de que o único Deus era o Senhor, só Ele reinava, ninguém mais, nem mesmo seu marido Abrão. Por isso, mantinha um porte correto, uma vida de pureza sexual, com relacionamento íntimo exclusivo a seu único marido, bem como com um porte marcado pela simplicidade e pela total ausência de estímulo e de incentivo à concupiscência da carne.

 - A segunda qualidade de Sarai era o uso do traje com simplicidade, sem enfeites no exterior, não usando jóias de ouro, tendo vestidos bem compostos, que, na Versão Almeida Revista e Atualizada, foi traduzido como “não tendo aparato de vestuário”, ou seja, vestes sofisticadas e exibicionistas (a Nova Versão Internacional fala em “roupas finas” e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, em “vestidos caros”), isto apesar da confortável situação econômico-financeira que vivia e dos costumes de seu tempo. Era modesta, não se utilizava dos trajes para chamar a atenção dos homens, pois, desde sempre, foi este um conhecido expediente feminino de sedução (que o diga Jezabel, quando tentou seduzir Jeú — II Rs.9:30).

 - Nos dias em que vivemos, é mais do que nunca indispensável que as mulheres tenham este mesmo porte. Vivemos os dias de Noé, os dias de Ló, como nos advertiu o Senhor Jesus (Mt.24:37; Lc.17:28), ou seja, dias de imoralidade e, mais do que nunca, devem as mulheres cristãs ter este porte de Sarai, um porte de castidade e de conseqüente modéstia nas vestimentas e nos enfeites. Isto deve partir das mulheres, como partiu de Sarai, que não foi levada por Abrão a ter este porte, Abrão que, muito pelo contrário, não queria se apresentar como marido, mas apenas como “irmão” de Sarai. Era algo que vinha da própria índole de Sarai, é algo que deve estar presente no interior de cada mulher que diz servir a Jesus.

 - Por isso, de nada adianta um “machismo”, uma “tirania masculina” sobre as mulheres. A mulher é quem deve tomar a iniciativa da decência, do pudor, da modéstia, da simplicidade, assim como Sarai o fez. A submissão não é uma imposição, até porque Abrão não fazia qualquer imposição, ante a situação difícil em que se pôs com sua “meia-verdade”, mas o resultado de uma atitude de honestidade e de pureza, de quem havia assumido a identidade de que “Yahweh é príncipe”, de que se é serva do Deus único e verdadeiro.

 - De nada adianta uma “tirania masculina”, pois há exemplos sobejos, no mundo muçulmano principalmente, de como o uso da “burca” (a vestimenta que cobre totalmente a mulher e onde apenas os olhos podem ser vistos, vestimenta imposta pelo regime do Talibã no Afeganistão) ou, mesmo, do véu (a vestimenta que cobre o rosto das mulheres, vestimenta permitida às mulheres nos países muçulmanos) não trazem maior pudor às mulheres nem tampouco diminuem a concupiscência da carne dos homens, tanto que a determinação do Alcorão é como que um conformismo com esta inclinação má do homem. Mesmo nos países mais duros, reportagens têm mostrado como as poucas e raras “brechas” têm sido usadas pelas mulheres para todo o tipo de imoralidade e perversão O problema está no coração das mulheres, na disposição de servirem, ou não, ao Senhor.

 - Mas há uma terceira qualidade em Sarai. Ela foi tomada e levada para a casa de Faraó, ou seja, Sarai não convivia com os egípcios cobiçosos, mantinha-se longe da “casa de Faraó”. Sarai mantinha-se separada dos egípcios e da corte, apesar da posição de proeminência que Abrão tinha na sociedade. Que exemplo! Temos vivido separados do mundo ou, por causa das convenções sociais, temos aberto mão dos princípios de moralidade e de santidade? Muitos, na atualidade, não precisam ser levados para a “casa de Faraó”, apresentam-se oferecidos para lá ingressar.

 - A chegada de Sarai à casa de Faraó fez com que Abrão tivesse prosperidade material (Gn.12:16), mas o Senhor demonstrou todo seu desagrado com o comprometimento de Abrão com a sociedade, aceitando enriquecer em troca do risco de mácula em seu casamento. Sarai manteve-se pura única e exclusivamente por intervenção divina, que, ciente de sua sinceridade e integridade, não permitiu que nada lhe acontecesse. Deus mandou pragas grandes sobre Faraó e sua casa por causa de Sarai, protegendo-a totalmente. Quando Faraó descobriu a “mentira inteira” travestida de “meia-verdade” de Abrão, expulsou o patriarca do Egito, sem, porém, diminuir-lhe o patrimônio (Gn.12:17-20).

 - A próxima menção que a Bíblia faz de Sarai é o momento em que Sarai, vendo que não gerava filhos a Abrão, ao fim de dez anos em que estavam em Canaã, usando de um direito que possuía enquanto mulher, seguindo o costume de seu tempo, dá a Abrão a sua escrava egípcia Agar, a fim de que ele tivesse, com ela, um filho. Este gesto de Sarai foi, sem dúvida alguma, o seu maior erro, erro este que se apresenta todos os dias como fatal e fonte de sofrimento e dor, pois foi graças a esta atitude de Sarai que tivemos o surgimento dos árabes, que se constituem, na atualidade, nos maiores inimigos dos judeus, no principal conflito político-militar do mundo a partir dos três últimos quartéis do século XX (Gn.16:1,2).

 - Mais uma vez, vemos que houve um diálogo entre Abrão e Sarai, prova de que o fato de Sarai ser uma mulher submissa, isto não significa que fosse uma mulher sem voz, sem oportunidade de falar. Sarai propôs a Abrão que tomasse a serva egípcia Agar e que, através dela, tivesse filhos. Tratava-se de um comportamento costumeiro naquele tempo, de acordo com a moralidade então vigente. Depois de longos dez anos sem ter sido resolvida a sua situação de esterilidade, Sarai entendeu que estaria a fazer a vontade de Deus se adotasse os costumes dos povos entre os quais vivia.

 - É muito elucidativo que vejamos a existência deste diálogo entre Abrão e Sarai. É indispensável que haja este diálogo entre marido e mulher, pois ambos se completam, não havendo qualquer respaldo bíblico para concepções como as que a mulher submissa é aquela que permanece calada, sem ter a liberdade de dar qualquer palpite ou sugestão a seu marido. Pobre do marido que assim agir, pois estará desperdiçando, contra a vontade de Deus, a sensibilidade feminina, que é necessária para que o homem possa bem dirigir o seu lar.

 - No entanto, assim como no diálogo havido entre Abrão e Sarai antes de entrarem no Egito, embora fosse importante e salutar o diálogo, o que faltou na sugestão de Sarai a Abrão foi a consulta a Deus, a correspondência entre o consenso dos cônjuges e a vontade do Senhor. É este o sentido, aliás, da enigmática expressão de Salomão, a respeito do “cordão de três dobras” (Ec.4:12). No casamento, indispensável e necessário é o diálogo entre os cônjuges, para que sejam tomadas decisões corretas e consistentes, mas o diálogo é insuficiente, pois deve ser acompanhado da consulta à vontade de Deus. Quando cônjuges vão ao altar e pedem orientação a Deus, tudo dará certo, não se terá como quebrar facilmente a estrutura e os fundamentos do lar. Há cordão de três dobras em seus casamentos, queridos irmãos casados?

 - Sarai achou que poderia usar os “costumes dos povos”, os “costumes do mundo” para atingir o propósito do Senhor. Negou, assim, na prática, o seu próprio nome, esquecendo-se que “Yahweh é príncipe” e, portanto, enquanto Senhor de todas as coisas, tem o controle de tudo, não precisando de “mãozinhas” humanas. Lamentavelmente, são muitos os que, na atualidade, por pura incredulidade (que foi o problema de Sarai), acham que Deus precisa de uma “ajudazinha” para fazer cumprir a Sua Palavra. O resultado disto é só tormento e embaraço, nada mais.

 - Sarai foi tomada pelo desânimo. Há alguns anos antes, enfrentara os costumes dos egípcios de modo solitário, sem o apoio do marido, e fora vencedora numa circunstância extremamente adversa. Agora, porém, ao completar dez anos da terra de Canaã, tendo já 75 anos de idade, cansara-se de esperar o milagre de Deus. Buscou expedientes humanos para fazer cumprir a promessa de Deus, recorreu aos mesmos costumes e práticas que, de modo tão feliz, evitara e recusara no passado. Que jamais venhamos a proceder do mesmo modo, que não achemos que Deus tarda e que, por isso, precisamos usar de expedientes mundanos para “fazer cumprir” as promessas de Deus. Não há comunhão alguma entre luz e trevas, de modo que jamais Deus operará através de expedientes pecaminosos e mundanos. Deus é reto e justo tanto em Seus meios, quanto em Seus fins. Afastemos a estratégia do mundanismo como instrumento da santidade, que, infelizmente, tem sido a tônica de muitos “crentes”.

 - Abrão ouviu Sarai e tomou Agar como sua mulher, tendo, então, Agar concebido e dado a luz a Ismael. Antes mesmo que Ismael nascesse, já surgiu o primeiro problema da “solução” de Sarai. Agar passou a desprezar a sua senhora, ocorrendo, então, uma inversão de valores dentro da própria casa de Abrão. Sarai, então, na dificuldade, pediu que o Senhor julgasse entre ela e seu marido, tendo, então, Abrão deixado a decisão para Sarai que, como mulher, decidiu com base no sentimento, afligindo Agar, que, então, fugiu da face de Sarai (Gn.16:4-16).

 - Muitos fazem como Sarai. Depois que tomam uma decisão precipitada, sem a prévia consulta ao Senhor, querem que Deus venha resolver as conseqüências de seus erros. Temos de responder pelos nossos próprios erros, pedindo, sim, perdão ao Senhor e, depois, direção para melhor administrarmos os efeitos nefastos de nossas atitudes, mas estes efeitos são inevitáveis, pois decorrem da “lei da semeadura” (Gl.6:7). Sarai agiu nesciamente, afligiu a escrava e, depois, teve de recebê-la de volta em casa, pois Deus não aprovou este seu gesto emocional e injusto. De igual maneira, Agar teve de reconhecer a sua posição na casa de Abrão, tendo direito a retornar a casa de sua senhora, mas ocupando o seu devido lugar, que era o de escrava.

 - Evitemos sair da direção de Deus, porquanto se o fizermos, embora tenhamos a misericórdia divina, que nos impedirá de morrer, nem por isso deixaremos de pagar o preço pelo desatino, pela decisão contrária ou à revelia da vontade do Senhor. Sarai não queria pagar o preço do seu erro, preferiu afligir Agar a fim de que ela “desaparecesse” de sua casa, mas teve de recebê-la de volta e ainda conviver alguns anos na companhia desta serva e do seu filho, que, durante algum tempo, foi tido e havido como o herdeiro de Abrão, criança que recebeu, a propósito, o nome de Ismael (em hebraico, “Ishmael”), nome dado pelo próprio Deus ao menino e cujo significado é “Deus está ouvindo”. Sempre que ouvia o nome do menino, Sarai tinha de se lembrar que Deus ouvira tudo quanto havia planejado fora da direção do Senhor.

 II – A BIOGRAFIA DE SARA(II) – SARA, A PRINCESA, A MÃE DE NAÇÕES

 - Em Gn.17:15, Deus muda o nome de Sara e, como já temos visto ao longo deste trimestre, a mudança de nome significa sempre uma mudança de caráter, de posição da pessoa diante de Deus. Durante treze anos, Sarai vivia uma situação desconfortável, pois, embora Agar tivesse se humilhado diante dela, não tinha fornecido um “filho” para Sarai, mas tão somente para Abrão. As circunstâncias pensadas e imaginadas por Sarai não haviam se concretizado, pois, afinal de contas, não o poderiam ser, já que feitas fora da direção do Senhor.

 - Deus apareceu, então, a Abrão e renovou a Sua promessa de um filho, deixando bem claro que Ismael não era o herdeiro da promessa, mas, sim, um que haveria de nascer, dentro de um ano, da parte de Sarai. Exigindo um desenvolvimento na fé de Abrão, trocou-lhe o nome para “Abraão”, que significa “pai de multidões”, bem como o nome de Sarai, que passou a ser “Sara”, que significa “princesa”, dizendo, ainda, que seria ela mãe de nações.

 - Uma mulher estéril, a quem havia cessado o costume das mulheres (Gn.18:11) passar a se chamar “princesa”, por que seria mãe de nações? Que contra-senso, que absurdo! Mas Deus age desta maneira mesmo, pois usa das coisas loucas deste mundo para confundir os sábios (I Co.1:18; 2:14). O próprio Abraão não creu de imediato na mensagem divina, tendo rido (Gn.17:17). No entanto, Deus mandou que o nome de Sara fosse mudado e o patriarca assim o fez.

 - Temos aqui uma nova fase na vida de Sara. Antes, tinha de conviver com um herdeiro que providenciara fora da direção do Senhor, ostentando o nome de “Yahweh é príncipe”, o que era um contra-senso, vez que havia desobedecido a este Senhor de todas as coisas. Agora, passa a ser chamada de “princesa”, sem que tivesse nem sequer um súdito, visto que era estéril e não possuía sequer um filho. Mas, uma vez mais, vemos a submissão de Sara: não questionou o novo nome e sua ilogicidade, mas fez aquilo que seu marido havia determinado, já que proviera da parte de Deus.

 - Abraão recebeu, então três visitantes, que nada mais eram senão o próprio Senhor (Gn.18:1), tendo, então, após lhes ter dado a devida acolhida, com a lavagem dos pés e fornecimento de água, entrado e pedido a Sara que amassasse depressa três medidas de flor de farinha e fizesse bolos para os viajantes (Gn.18:6).

 - Vemos, então, como havia uma sintonia entre Abraão e Sara. Abraão era hospitaleiro, disposto a fazer o bem às pessoas, mas podia, também, contar com Sara, que também estava à disposição para que seus propósitos benevolentes se concretizassem. Havia uma perfeita divisão de tarefas entre ambos. Abraão encontrava-se no lado de fora da tenda, pronto a receber os viajantes, vigilante quanto ao que cercava a sua casa, enquanto que Sara se mantinha dentro da tenda, bem administrando as tarefas domésticas e o interior da casa.

- Este é o estado ideal de uma vida familiar. O homem, mais racional, de visão ao longe, o vigilante da casa, aquele que cuida do relacionamento exterior do lar com o mundo, fazendo a seleção e, com discernimento espiritual, delineando o que deve ser retido e o que não deve ser retido dentro de casa. Alguém que sabe o que é de Deus e o que não é e que faz questão de que Deus não passe, mas permaneça no lar.

 - Já a mulher é aquela que cuida bem do interior do lar, que administra a execução das tarefas domésticas, que sabe bem as necessidades de cada integrante do lar, que está pronta a providenciar o que for necessário para o atendimento do relacionamento com o exterior. Aquela que sabe qual é a provisão do lar, não só no aspecto material, mas também espiritual. Aquela que tem condições de auxiliar o marido na adoração a Deus. Aquela mulher virtuosa que tem todos os predicados mencionados em Pv.31.

 - Sabemos que, nos dias em que vivemos, este modelo encontra-se assaz prejudicado. A luta pela sobrevivência, a competição desenfreada e desumana que norteia a organização econômica no mundo hodierno tem levado a mulher para fora de casa, inserindo-a no mercado de trabalho. Pesquisa recente no Brasil mostrou que 29,6% das famílias brasileiras já são, atualmente, sustentadas pelas mulheres, prova de que se vive um intenso processo de desestruturação familiar. Não há como se evitar uma situação dessas, mas é indispensável que, diante desta nova realidade, marido e mulher não deixem de lado os seus deveres de pais, não renunciando a esta posição que assumiram diante de Deus, da sociedade, da igreja e de si mesmos.

 - Abraão e Sara eram um casal que tinham uma boa sintonia. Dialogavam e tinham um mesmo sentimento, assumiram a vida em comum que se propuseram quando se casaram. Abraão precisou de Sara para providenciar alimento para os viajantes, mas não deu apenas ordens. Enquanto Sara foi providenciar pão e bolos, o próprio Abraão se encarregou de preparar a carne, tomando uma vitela tenra e boa, dando-o ao moço para que este a preparasse (Gn.18:7), além de ter servido os viajantes (Gn.18:8).

 - Notamos, assim, que havia uma divisão de tarefas domésticas entre marido e mulher, apesar de se estar numa situação cultural de patriarcalismo, há mais de 3.000 anos atrás. Como admitir, hoje, então, que a mulher, já inserida no mercado de trabalho, seja obrigada a arcar sozinha com a “segunda jornada”, em casa, sem qualquer colaboração do marido, como defende o machismo latino-americano? Este comportamento não é a conduta que se espera de um homem de Deus, que deve saber dividir as tarefas domésticas com sua mulher e com os filhos. Não se pode permitir que o esgotamento físico ocasionado pelo acúmulo do trabalho fora de casa e do trabalho doméstico venha a impedir o cumprimento dos deveres de educação, acompanhamento dos filhos, instrução doutrinário-bíblica e, notadamente, a adoração familiar. O diabo tem tentado, de todas as maneiras, aproveitar-se desta situação econômico-financeira adversa (por ele mesmo engendrada na sociedade) para desestruturar os lares dos servos de Deus. Mas aprendamos com Abraão e Sara, a dividir as cargas e, assim, termos melhores condições de adorarmos ao Senhor.

 - Este relacionamento entre Abraão e Sara, além do mais, mostra-nos como é pura balela e ilusão do adversário a idéia de que homem ou mulher são superiores entre si, que foi a tônica do chamado “movimento feminista”, que teve grande desenvolvimento no século XX. É inegável que a mulher é tratada com inferioridade, mas isto é conseqüência do pecado (Gn.3:16) e, portanto, uma situação que somente poderá ser resolvida com a salvação através da pessoa de Jesus Cristo. Tanto é assim que, apesar de todas as supostas “conquistas” do feminismo, os relatórios internacionais apontam que, em todos os países do mundo, em todas as camadas sociais, a mulher continua sendo inferiorizada em relação ao homem.

 - Ao contrário do que se propaga pela mídia, a Bíblia jamais defendeu a supremacia do homem sobre a mulher, pois, para Deus, não há acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34). Neste mundo, por causa do pecado, veremos sempre estruturas sociais que discriminam a mulher, mas isto não significa que seja esta a vontade divina. Muito pelo contrário, o modelo bíblico e o exemplo de Jesus mostram-nos que Deus sempre tratou homem e mulher com igualdade e, na igreja, assim devemos também proceder. Homem e mulher têm o mesmo valor diante de Deus.

 - No entanto, e isto é fundamental, Deus criou o homem macho e fêmea (Gn.1:27), ou seja, homem e mulher, embora tenham o mesmo valor diante do Senhor, são diferentes, complementares, de modo que homem e mulher têm diferentes estruturas físicas e psicológicas, devendo, pois, ter tarefas e atividades diversas. Assim, enquanto Abraão planejou o que deveria ser feito para os viajantes, Sara tinha o controle do que havia à disposição deles na tenda, tendo Abraão também ido servi-los. Homem e mulher têm atividades diversas, que se completam, sendo tratados igualmente por Deus e devendo, assim, tratar-se com imparcialidade e respeito mútuos.

 - Após a refeição, o Senhor, representado por aqueles seres, perguntou a respeito de Sara para Abraão. Vemos aqui como Deus trata igualmente tanto com o homem como com a mulher e como a promessa de Abraão, por envolver Sara, deveria ser comunicada também a ela, não apenas a Abraão.

 - Sara estava na tenda, ou seja, ocupando a sua posição. Como é maravilhoso quando a pessoa mantém a sua posição diante da sociedade e diante de Deus. Sara recebeu a sua promessa porque estava na sua posição, na tenda. Temos estado na tenda, na posição que Deus nos quer, ou temos ocupado posições alheias, fora da direção do Senhor? Nosso Deus não é Deus de confusão (I Co.14:33). Jesus quer que tudo esteja no seu devido lugar, até mesmo os panos que haviam sido utilizados para o Seu sepultamento (Jo.20:6,7).

 - No instante em que se reafirmou a promessa de que Sara teria um filho, Sara riu-se consigo, repetindo, assim, o mesmo gesto que Abraão tivera quando lhe fora dada a mesma promessa. Isto mostra como havia uma sintonia de pensamentos e sentimentos entre ambos, sinal de um bom relacionamento conjugal. Verdade é que isto revelava a incredulidade que havia entre eles, mas, de qualquer maneira, era um comunhão de vida que se expressava ali.

 - Marido e mulher precisam estabelecer uma comunhão de vida, que é, aliás, o sentido do casamento. Ao estabelecer o casamento, o texto sagrado diz que “serão ambos uma só carne” (Gn.2:24), expressão que é muito mais do que uma indicação da permissão de relacionamento sexual entre os cônjuges, mas que denotam a necessidade que os cônjuges têm de, a partir da decisão de se casarem, passarem a viver um em função do outro, de construírem uma vida em comum.

 - O individualismo e egoísmo reinantes neste mundo sem Deus e sem salvação têm sido um dos fatores primordiais para o fracasso dos casamentos, casamentos, aliás, cada vez mais raros. As pessoas não querem viver em função de alguém, mesmo tendo afeição por este alguém. Desejam ter uma companhia que, entretanto, não prejudique seus projetos pessoais, onde só cabe uma pessoa. São “amantes de si mesmo” e não titubeiam em descartar o companheiro se ele se tornar um obstáculo para seus planos egoístas. Não é esta, porém, a vontade de Deus para o casamento.

 - Abraão e Sara tinham um sentimento em comum. Estavam casados há muitos anos e, mesmo na incredulidade, tinham as mesmas reações. Sara riu-se consigo quando ouviu que haveria de conceber, tendo 89 anos de idade, assim como Abraão fizera pouco tempo antes. Que possamos construir uma comunhão de vida com nosso cônjuge e que esta comunhão entre marido e mulher se transforme no “cordão de três dobras”, que é a comunhão entre os cônjuges e Deus.

 - Sara não acreditou na mensagem divina, porque, em vez de pôr a fé em ação, pensou nas condições humanas e materiais para o cumprimento da promessa. “Haveria alguma coisa difícil ao Senhor”, perguntou o ser celestial a Sara e continua a perguntar a cada um de nós. Não podemos tratar as promessas de Deus com os olhos materiais, com a vista, pois não andamos por vista, mas, sim, por fé, a prova das coisas que não se vêem (II Co.5:7; Hb.11:1).

 - Sara olhou para o seu corpo amortecido, onde não havia mais qualquer atividade que permitisse a reprodução, bem como para o corpo envelhecido de seu marido (Gn.18:12). Era totalmente impossível que ela viesse a conceber, mas o servo do Senhor não deve confiar nas condições materiais e humanas, mas única e exclusivamente na Palavra de Deus.

 - Sara, então, temeu diante da repreensão do ser celestial e tentou justificar-se, querendo encobrir sua incredulidade com uma mentira (Gn.18:15). Mais uma vez, vemos como um abismo chama outro abismo (Sl.42:7). Confrontada com a sua incredulidade, Sara quis negar que tivesse sido incrédula e, por isso, mentiu, dizendo que não havia rido. Foi, uma vez mais, repreendida pelo ser celeste.

 - Deus não tem prazer algum na mentira, nem a tolera. Não só os mentirosos, mas os amantes da mentira também ficarão do lado de fora do reino de Deus (Ap.22:15). Tomemos cuidado, pois os dias em que vivemos são dias em que a mentira cada vez mais prevalece, pois é imperioso que a mentira esteja no auge no instante em que o Anticristo se manifestar (II Ts.2:8-12). Nunca deixemos de cingir os lombos com a verdade (Ef.6:14), pois é a verdade que nos santifica (Jo.17:17).

 - A mentira era uma grande adversária para a felicidade do casal. Abraão partiu para a terra do sul e foi habitar entre Cades e Sur, e peregrinou em Gerar (Gn.20:1). Lá, uma vez mais, fez um acordo com Sara para que dissessem a “meia-verdade” de que Sara era sua irmã (Gn.20:2), o que fez com que, mais uma vez, Sara fosse tomada por Abimeleque, rei de Gerar.

 -Tal circunstância mostra-nos como devemos vigiar incessantemente para que não venhamos a repetir os mesmos erros do passado. Com a promessa de que, em um ano, após 24 anos de espera, Abraão finalmente teria o seu herdeiro do ventre de Sara, o patriarca, novamente, comporta-se como um covarde, omitindo seu casamento com Sara e a deixando à mercê dos homens malignos. Sara mantinha o mesmo porte do passado, tanto que foi tomada por Abimeleque. Em sonho, o Senhor disse a verdade que Abraão omitira, revelando que Sara era casada e que Abimeleque seria um homem morto por a ter tomado (Gn.20:3,4).

 - Abimeleque, então, chamou Abraão e lhe lançou em rosto a sua mentira, que tentou ser justificada pelo patriarca, que denunciou o parentesco existente entre ele e Sara (Gn.20:12). Abraão, ainda, intercedeu por Abimeleque e seu povo e o Senhor sarou àquela nação, cuja madre tinha sido fechada por causa de Sara.

 - Somente com a revelação da mentira e o pronto arrependimento seja de Abraão, seja de Sara, pôde Deus cumprir a Sua promessa. O Senhor visitou a Sara e ela concebeu, dando à luz a Isaque (nome que, em hebraico, significa “riso”), no tempo determinado que Deus lhe tinha dito (Gn.21:1-3). Sara, ao contrário de todas as condições humanas e materiais, estava, na sua velhice, sendo mãe, podendo ter prazer em ter um menino nos seus braços. Não há coisa alguma impossível a Deus, amados irmãos, mas tudo vem no tempo determinado pelo Senhor. Cumpre-nos tão somente crer e esperar. A Bíblia revela-nos que Sara pôde conceber porque teve por fiel aquele que havia feito a promessa (Hb.11:11).

 - Sara pôde dizer que Deus lhe tinha feito riso e que todo aquele que o ouvisse se riria com ela. A alegria do servo de Deus deve ser motivo de divulgação para todos os demais, a fim de que seja uma alegria coletiva, um motivo para a glorificação do nome do Senhor. Infelizmente, nos dias em que vivemos, muitos não têm prazer algum em revelar o que Deus lhe tem feito, demonstrando, assim, uma ingratidão para com aqueles que têm intercedido por eles e os ajudado em oração. Os testemunhos têm sumido de nossas reuniões, o que não é bom. Sara era toda riso e queria que todos ouvissem e rissem com ela. Como pode a Igreja, que tem o dever de anunciar as boas-novas de salvação, calar-se diante das obras que o Senhor tem feito?

 - O cumprimento da promessa de Deus, no entanto, não foi apenas riso. Devemos moldar nossas vidas ao modelo divino e a casa de Abraão ainda não tinha este modelo. Apesar de Isaque ter nascido, lá também estava Ismael, como tinha estado antes Ló, pessoas que não faziam parte do propósito divino. Sara logo pôde perceber esta incompatibilidade entre a realidade, criada por ela, e o modelo divino e não tardou para que isto fosse fonte de problemas e dificuldades. No dia do grande banquete em que se comemorou o desmame de Isaque, Ismael estava a zombar do meio-irmão e de toda aquela situação (Gn.21:9).

 - Sara, então, dentro da sua sensibilidade feminina e ao perceber que não havia como se manter aquela situação, pede a Abraão que mandasse embora Agar e seu filho, pois não era possível que ambos herdassem a promessa de Deus (Gn.21:10).

 - Este discernimento de Sara revela não só a sensibilidade tipicamente feminina, que não pode ser desprezada pelos maridos, pois a mulher foi feita, precisamente, para, com a sua sensibilidade, completar a racionalidade, que é um traço masculino, mas também uma visão espiritual por parte de Sara, a demonstrar que havia se restabelecido de seus deslizes anteriores. Sara percebeu que não havia como se manter aquela situação, pois não era possível que o filho da escrava pudesse herdar com o filho da livre, numa situação, aliás, que seria, depois, explanada sob o ponto-de-vista espiritual pelo apóstolo Paulo na epístola aos gálatas (Gl.4:21-31).

 - Sara demonstrou arrependimento, porquanto fora ela a criadora de toda a situação e confessava seu erro. Abraão não gostou daquelas palavras, mas o Senhor as confirmou, numa prova de que Sara estava de acordo com a vontade de Deus quando disse o que disse (Gn.21:12,13).

 - Sara, assim, demonstrava toda a sua submissão a Deus. Não se tratava apenas de fazer a vontade de seu marido, mas, sim, a vontade do Senhor, mesmo quando o marido com esta não parecia concordar. A situação também nos mostra como devemos proceder quando temos consciência da vontade do Senhor: devemos dialogar com o nosso cônjuge, com toda a liberdade e, caso haja um dissenso, aguardar que o Senhor revele a Sua vontade para o nosso companheiro de vida comum. Abraão e Sara não discutiram, não se agrediram, nem passaram a se difamar para os de casa e os de fora, mas, depois que Sara disse a Abraão que deveria despedir Agar e Ismael, aguardou que o Senhor o falasse. Como é bom viver um casamento debaixo da direção de Deus!

 - Despedidos Agar e Ismael, desempenhou Sara o seu papel de “mãe de nações”, cuidando de seu filho Isaque, com quem conviveu por 28 anos. Quando atingiu a idade de 127 anos, Sara morreu (Gn.23:1), sendo sepultada na cova do campo de Macpela, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã (Gn.23:19), o único pedaço da terra de Canaã que pertenceu a Abraão durante toda a sua peregrinação, objeto que foi de compra junto aos heteus. Havia cumprido a sua missão que lhe havia dado o Senhor e se tornado, assim, a mulher que deu à luz ao povo escolhido de Deus (Is.51:2).

 III – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM SARA

  A primeira qualidade que encontramos em Sara e que é destacada pelo nosso ilustre comentarista é a submissão. “Submissão” é palavra de origem latina, cujo significado é “pôr-se debaixo de algo”. Ser submisso é estar subordinado a alguém, é estar debaixo de uma determinada tarefa ou atividade. Assim, a submissão da mulher não significa uma posição de inferioridade em relação ao homem, mas uma assunção de determinada atividade, de uma posição, que não tem o homem como superior, mas, sim, o próprio Deus.

 - A mulher, dizem as Escrituras, devem ser sujeitas a seus maridos (Ef.5:22). Ser sujeita significa estar debaixo de uma base, de um lançamento, de uma plataforma (do latim “sub jectum”). A mulher, portanto, deve orientar suas sensações, emoções e intuições de acordo com os planos, projetos e finalidades traçados pelo marido. Não há, portanto, como se exigir sujeição da mulher quando não há tais planos, projetos ou finalidades.

 - A mulher deve se unir ao marido nos planos e projetos assumidos, fazendo-o por amor e não por medo, conveniência ou qualquer outro sentimento. Diz o texto sagrado que a sujeição deve ser como ao Senhor, o que implica em sujeição por amor, com dedicação, confiança, humildade, fidelidade e lealdade. Nada mais antibíblico, portanto, do que a idéia que tem sido difundida de que o casamento ou a vida familiar tradicional seja algo contrário à dignidade da mulher ou à sua independência. A mulher, como o homem, não foram feitos para serem “independentes”, pois dependem um do outro para se completarem, para que possam transformar em realidades todo o potencial humano. A chamada “liberação feminina” é mais uma das mentiras satânicas e resultado de uma postura antibíblica dos homens, inclusive de cristãos, que confundem a sujeição da mulher com opressão, escravidão ou algo semelhante.

 - A mulher tem o direito (diríamos, mesmo, o dever) de opinar junto a seu marido sobre os planos, projetos e objetivos que devem ser buscados pela família, usando de sua capacidade intuitiva aguçada, de sua sensibilidade e emoção para que seja tomada a melhor decisão. Até pelo fato de ser mais sensível e intuitiva do que o homem, a mulher é um importante canal para que seja obtida e comunicada a vontade de Deus num determinado fim perseguido pela família. Jesus deixou-nos claro que a mulher é a principal fonte de comunicação para a divulgação de Seus propósitos, como vemos nos exemplos da profetisa Ana (Lc.2:38) e das mulheres que foram ao túmulo vazio (Lc.24:9).

 - Abraão sempre comunicava os planos revelados por Deus a ele a sua mulher Sara, que também fazia parte deste plano, tanto que o próprio Deus quis dizer-lhe diretamente que haveria de conceber e ter um filho para que tal promessa se realizasse. A submissão da mulher é aos propósitos divinos, tanto que, quando tais propósitos não foram corretamente entendidos por Abraão, Sara não temeu avisá-lo da vontade de Deus, mesmo que isto não fosse do agrado de seu marido (Gn.21:10-12).

 - A mulher é a principal responsável pela manutenção do afeto e da sensibilidade nas relações familiares, seja como mãe (Is.49:15), seja como mulher (Pv.31:11; Ct.3:1).

 - Mas, além da submissão e da obediência que Sara devotava a seu marido (I Pe.3:6), obediência que, antes de tudo, a Deus, pois mais importa obedecer a Deus do que aos homens (At.5:29), temos que Sara tinha como qualidade a ser perseguida por todos nós a vida casta (I Pe.3:2), ou seja, uma vida de pureza sexual, de um porte moral e irrepreensível.

 - Sara jamais foi vista exibindo-se aos homens, nem mesmo quando seu marido, de modo reprovável, deixou-a, por duas vezes, à mercê dos demais homens. Sara tinha uma vida casta, ou seja, uma vida pura. Em momento algum, vemos que Sara não cumprisse com seus deveres conjugais, pois castidade não significa abstinência sexual. Muito pelo contrário, quando o texto sagrado nos indica que Sara havia cessado o “costume das mulheres”, indica-nos que, enquanto houve condições biológicas, Abraão e Sara tentaram ter filhos, sem resultado. A manutenção contínua de uma vida sexual ativa é uma necessidade para os cônjuges, um dever que serve de obstáculo e impecilho à tentação nesta área da vida (I Co.7:2-5).

 - Muitos deixam este caminho da vida casta e partem para dois extremos, igualmente condenáveis à luz da Palavra de Deus. Alguns, querendo ser “mais realistas do que o rei”, adotam uma abstinência sexual absoluta em pleno matrimônio, abrindo as portas para o diabo e para a destruição da santidade no casamento (I Co.7:5), pois são verdadeiras doutrinas de demônios aquelas que, atualmente, são pregadas aqui e acolá impondo a abstinência de manjares que Deus preparou para os Seus filhos (I Tm.4:1-5).

 - Outros, por sua vez, deixaram-se contaminar pela impureza e imoralidade sexuais cada vez mais intensas no mundo, não mais venerando o casamento e maculado o leito conjugal, esquecendo-se que Deus julgará os adúlteros e os que se prostituem (Hb.13:4), praticando toda a sorte de torpeza, achando que nada disso lhes comprometerá a vida espiritual. Entretanto, a Palavra de Deus permanece para sempre e ela continua a nos ensinar que ficarão de fora os adúlteros e os fornicários (Ap.21:8; 22:15).

 - Não nos iludamos, ainda, com a falácia do “pecado consumado”. Muitos estão a viver uma vida de impureza sexual sem que, para tanto, tenham adulterado, ou seja, mantido relações sexuais com uma pessoa que não seu cônjuge. Acham que a pornografia, a pornofonia, o sexo virtual, os maus pensamentos, os trajes indecentes e provocativos, a sedução pelo uso excessivo de cosméticos e de jóias, são apenas “passatempos”, que não caracterizam qualquer “pecado consumado”. Para estes, lembramos o que Jesus nos ensina no sermão do monte, em Mt.5:28. Aprendamos com Sara a ter uma vida casta!

 - A terceira qualidade de Sara é a simplicidade de vestimenta. Apesar de ser mulher rica, Sara não procurava se exibir no seu vestir, não procurava seduzir os homens, não buscava a vaidade nem despertar a concupiscência da carne nos homens de seu tempo. Como a indecência tem avançado sobre os guarda-roupas dos que cristãos se dizem ser. É lamentável o que se tem observado na atualidade, onde se perdeu a simplicidade exterior. Se é certo que a aparência exterior não deve ser critério de julgamento da santidade de quem quer que seja, também não é menos verdadeiro que o exterior é reflexo do homem interior. Quando Pedro nos fala da necessidade de evitarmos o exibicionismo nas vestimentas e de termos modéstia, lembra-se de Sara, prova de que ela era um modelo e exemplo de simplicidade. Sejamos simples no trajar.

 - A quarta qualidade de Sara é a sua separação da maldade. As duas vezes em que Abraão a deixa só, à mercê dos homens de seu tempo, vemos que Sara precisou ser tomada, ser levada para a companhia das mulheres da casa de Faraó ou da corte de Abimeleque, numa demonstração de que Sara não se misturara com estas mulheres, nem tinha comunhão com estas pessoas que não serviam a Deus. Sara não saía da tenda, do seu lugar na casa de Abraão. Assim também, não devemos sair da tenda, não devemos sair de nossa posição de integrantes do povo de Deus. Estamos neste mundo mas não somos deste mundo e, por isso, devemos evitar ter comunhão com ele. Quantos não têm perdido a sua salvação por causa das más companhias, por causa da falta de distanciamento das coisas do mundo?

 - A quinta qualidade de Sara é a sua prontidão para divulgar a realização da promessa de Deus na sua vida. Sara não se contentou apenas em ter um filho, mas quis compartilhar esta alegria com todos que a pudessem ouvir. Como é bom quando temos esta mesma disposição de comunicar as bênçãos de Deus a todos quantos nos possam ouvir. Esta vontade de exaltar e glorificar o nome do Senhor por tudo quanto Ele nos tem feito é uma demonstração de gratidão, um reconhecimento pelo que Deus nos fez. Era este o sentimento do salmista (Sl.66:16) e de Nabucodonosor, depois que se converteu (Dn.4:2). Como podemos, então, calar-nos diante das bênçãos do Senhor?

 - A sexta qualidade de Sara é a sua sensibilidade espiritual. Depois de ter se rendido totalmente ao Senhor, nele crido e encontrado a realização da promessa de ser mãe, Sara passou a ter uma aguçada sensibilidade espiritual, a ponto de, ao ver Ismael zombando em pleno dia de festa, ter chegado à conclusão de que Agar e Ismael não poderiam mais permanecer em sua casa. Temos de ter a mente de Cristo (I Co.2:7-16), precisamos ter o Espírito de Deus em nós, máxime nos dias tão difíceis em que vivemos, para impedir que obstáculos venham a nos tomar a salvação. Sara voltou a ser “Iscá”, isto é, a ser “vigilante”, a fim de impedir que os embaraços da vida, muitas vezes construídos por nós mesmos, venham a nos impedir de servir a Deus cada vez melhor.

 - A sétima qualidade de Sara foi a do cumprimento de sua missão. Ser mãe aos 99 anos de idade não foi fácil para Sara. Era idosa, mas assumiu o compromisso de ser uma boa mãe. Foi chamada de “mãe de nações” e as Escrituras nos indicam claramente que cumpriu fielmente a sua missão. Ao ser recolhida, com 127 anos de idade, havia criado um jovem no temor do Senhor e com todas as condições de levar adiante o plano de Deus para a humanidade. Tanto foi assim que, para que se preenchesse a lacuna deixada pela morte de Sara na vida de Isaque, teve Abraão de providenciar-lhe uma mulher (Gn.24:67).Sara mostrou-se, portanto, apesar de sua idade avançada, cumpridora de seus deveres, providenciando afeto e amor ao seu filho. Temos cumprido aquilo que Deus tem requerido de nós?

 V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM SARA

 - O primeiro contra-exemplo de Sara é o do consentimento com a mentira. Por duas vezes, Sara, no afã de agradar a seu marido, consentiu em viver à base de “meias-verdades”, que, como costumamos dizer, não passam de “mentiras inteiras”.

 - Nas duas vezes em que Sara consentiu com a mentira, sofreu sério risco de perder a sua santidade e a sua condição moral. Não fosse a intervenção divina, devida não só ao testemunho de Sara, mas também ao Seu plano com relação à humanidade, Sara não teria sido poupada da humilhação e da desqualificação moral. O pai da mentira é o diabo (Jo.8:44) e ele nada tem com o Senhor Jesus (Jo.14:30). Quem consente com a mentira, demonstra ter amor por ela e, assim, está tão condenado quanto o mentiroso (Ap.22:15). Tenhamos cuidado, pois não subsistem as razões que levaram Deus a operar sobrenaturalmente para livrar Sara das circunstâncias criadas com o seu consentimento com a mentira, até porque vivemos na dispensação da graça, que já teve a revelação de Cristo Jesus e, portanto, conhecemos a verdade que nos liberta (Jo.8:31,32).

  O segundo contra-exemplo de Sara é a sua incredulidade, motivada pelo desânimo. Não podemos permitir que o tempo venha a abalar a nossa fé ou a nossa esperança. Verdade é que o proverbista nos ensina que “a esperança demorada enfraquece o coração, mas o desejo chegado é árvore de vida” (Pv.13:12), mas nossa esperança está em Cristo, a “esperança da glória” (Cl.1:27), “uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós” (I Pe.3b-4).

 - Sara desanimou depois de dez anos de espera e, diante deste desânimo, não crendo que Deus pudesse cumprir a Sua promessa, tratou de arrumar um “expediente humano” para fazer a vontade divina se realizar e, desta maneira, deu sua serva egípcia Agar para Abrão, causando todos os transtornos que até hoje ocorrem. O desânimo é a porta de entrada da incredulidade e tanto um quanto outro nos impedirão de chegar aos céus. Não foi à toa que Jesus enfatizou que deveríamos ter sempre “bom ânimo” (Jo.16:33), bem assim o escritor aos hebreus nos fez lembrar que o motivo que impediu a geração do êxodo de entrar na Terra Prometida foi a incredulidade (Hb.3:19).

 - Quanto sofrimento Sara não trouxe para si e para os outros por causa de sua incredulidade, que invadiu o seu coração depois da brecha deixada pelo desânimo. Neste mundo mau em que vivemos, não nos deixemos abater pelo desânimo, pois ele trará consigo a incredulidade, tudo nos impedindo de vencer. Cuidado!

 - O terceiro contra-exemplo de Sara é a mentira. Quem viveu à base de “meias-verdades” e, depois, se deixou levar pelo desânimo, acaba gerando não só incredulidade, mas se torna um praticante da mentira. Sara ousou mentir ao próprio Deus, ao querer negar que havia rido quando lhe foi renovada a promessa de que teria um filho, sendo repreendida pelo próprio Deus. Devemos ter muito cuidado na nossa vida espiritual, para que não nos tornemos mentirosos. Quando nos conformamos a “meias-verdades”, delas tirando vantagem, com elas consentindo, estamos abrindo a porta para que nós mesmos venhamos a mentir. Cuidado!

 - O quarto contra-exemplo deixado por Sara é o da aflição ao próximo. Bem diferente da segunda vez, em que apenas disse a Abraão, guiada por Deus, de que este deveria despedir Agar e Ismael, na primeira vez, Sara não mandou Agar embora, mas passou a afligi-la, a causar-lhe aflição, criando uma situação para que ela, não suportando a opressão, por sua conta saísse de casa, o que acabou acontecendo.

 - Vemos como não se deve proceder desta maneira. Agar estava grávida, portanto num estado delicado e de maior vulnerabilidade, mas nem isto fez com que Sara, cheia de ódio e desejo de vingança, viesse a afligi-la, isto é, a maltratá-la (como consta na Bíblia Hebraica, versão de David Gorodovits e Jairo Fridlin, na Tradução Brasileira, na Nova Versão Internacional e na Nova Tradução na Linguagem de Hoje), a humilhá-la (Almeida Revista e Atualizada). Agar não deveria ter desprezado sua senhora, mas não era desta maneira que Sara deveria ter agido, tanto que o Senhor, ao contrário da segunda vez, fez com que Agar retornasse à casa de sua senhora, humilhando-se, é bem verdade, mas sem aprovar o que Sara havia feito.

 - Não temos permissão alguma do Senhor para maltratarmos o próximo, para o humilharmos, ainda que ele tenha procedido de modo equivocado a nosso respeito. Devemos amar o próximo como a nós mesmos e jamais nos considerarmos superiores a ele. Nunca maltratemos o semelhante, nem mesmo nosso inimigo, pois nossa justiça deve exceder a dos demais homens (Mt.5:20, 43-48).

 

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

O que devemos fazer para melhorar nossa EBD? Sara, uma mulher submissa - 2

11 Responses to “Sara, uma mulher submissa - 1”

  1. Coutinho says:
    O prezado comentarista, cometeu um erro, quando na introdução diz que: “Se é verdade bíblica que as mulheres devem ser submissas ao marido”. Quero informar, que nós petencostais acreditamos que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não que contém a Palavra de Deus. A Bíblia toda foi escrita por homens inspirados por Deus, então Ela é verdadeira. A Bíblia nos informa em Éfesios 5:22-24, que a mulher deve ser submissa ao seu marido. Obeserve as opiniões de Nosso Senhor a respeito da inspiração. Ele disse que “a Escritura não pode falhar” (João 10:34,35). Em todas as três partes do Velho Testamento, “na Lei de Moisés, nos Profetas, e nos Salmos”, Ele encontrou ensinamentos a Seu próprio respeito (Lucas 24:44)
  2. Gostei muito da explicacao da licao n. 10.
    Me deu entendimento perfeito para ser praticado
    nos dias de hoje quanto a decisoes a serem
    tomadas no dia-a-dia.

    Que Deus abencoe a todos voces.

  3. Eliane says:
    Irmão Coutinho, percebe-se que o senhor não entendeu o recurso linguistico utilizado pelo Irmão Caramuru. Ele em momento algum está questionando se as mulheres devem ser submissas, segundo a Bíblia, ou, ainda, afirmando o contrário, como o senhor diz em seu comentário.
    Sugiro que o senhor leia os parágrafos inteiros da próxima vez.
    Que Deus te abençoe.
  4. Uilma says:
    Louvo à Deus por estes subsídios, recursos disponíveis, à todos que queiram um aprofundamento significativo nas lições.
    Todos os comentários são maravilhosos, faço questão de lê-los semanalmente.
    Cada um á sua maneira expõe com muita propriedade os assuntos.
    Parabéns. Que Deus os abençoe grandíssimamente!
  5. assunção cruz says:
    No comentário da lição 10 da revista maturidade cristã.

    Alguém usou de má fé. Colocou embaixo do comentário”SARA, UMA MULHER SUBMISSA” I, o nome do Dr. Caramuru.
    Ele é autor do comentário II e não I !

    Não sei se foi engano ou malícia

  6. Presbítero~Cicero luis leite da silva says:
    Presados irmãos comentaristas deixemos de lado toda critica que não seja construtiva,pois sabemos que o trabalho que nossos irmãos desempenham fazendo,ou melhor trazendo todo este material para nossas escolas dominicais sendo assim desnecessário criticas que não venham trazer crescimento para todos, entendo que somos de Deus e que se tiver algo errado será consertado,particularmente gostei de todo conteúdo é claro que só levo para minhas alunas aquilo que tem base na palavra do Senhor.sem mais deixo-vos a paz do Senhor Jesus.
  7. Paulo says:
    A paz do Senhor!
    Quero aqui, mais uma vez deixar meu agradecimento pelo enriquecimento que nos trazem estes subsídios das lições da EBD.
    que Deus continue abençoando todos os que contribuem para esta obra e aperfeiçoamento dos santos…
    Fiquem na paz do Senhor…
  8. gilvania barros says:
    Fico feliz em saber que temos esta rica oportunidade de explanar com mais conteudo a nossa liçâo da ebd, peço a Deus que sempre inspire homens como o sr. pra nos da esta rica oportunidade. um abraço!
  9. iane says:
    olá! parabés ao irmao profº dr Caramuru. O conteúdo apresentado está muito interessante e esclarecedor. Continuemos a orar pela vidas de nossos alunos, afim de que o que foi aprendido na teoria seja muito bem excutado na prática. Que o Deus de toda graça continue a bençoar-te!
  10. maria luiza says:
    gostaria de um esclarecimento, no inicio vc diz que sara (subtende=se)era isca, porem em gn.11:29, isca é filha de Naor, irmao de abrao e nao de tera, pai de abrao.
  11. Insubmisso says:
    Caramba, e julgava eu que os unicos submissos eram os acólitos do alucinado Maomé, afinal enganei-me.
    Nem sei como qualificar este site… inqualificável. Vocês, em que século é que vivem?
    Vade Retro!!!

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