Paulo, um missionário zeloso e autêntico - 4
PAULO, UM MISSIONÁRIO ZELOSO E AUTÊNTICO
Fonte: www.cpad.com.br
Introdução
I. Breve biografia de Paulo. II. O zelo apostólico de Paulo. III. A autenticidade de Paulo.
Conclusão
Palavras-chave
Zelo, autenticidade
I. Mais informações sobre a lição.
Jamais foi escrita uma biografia do apóstolo Paulo. Essa tarefa é simplesmente impossível por nos faltarem o início e o fim de sua história. Nosso registro de suas atividades começa em sua juventude, pouco antes de ele iniciar o apostolado. Foi aí que Lucas o conheceu e incluiu-o em sua história da Igreja Primitiva. Além disso, só temos algumas notas pessoais nas 13 epístolas eclesiásticas e pastorais escritas por ele em diferentes partes do Império Romano. Apesar das muitas lacunas desses registros, temos o suficiente para tornar o relato um dos mais emocionantes da História.
Está claro que não houve monotonia na vida de Paulo. Sumariando esse período, ele menciona vividamente alguns episódios:
“Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo. Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos. Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez (2 Co 11-24-27).
Em lugar algum, porém, esta história é inteiramente contada. Além de um breve relato de um naufrágio, os outros não são mencionados. Não há nenhuma narrativa da noite e do dia terríveis passados em alto mar, agarrado talvez em um destroço. Nem é feita a descrição dos assaltos nas passagens montanhosas, onde os ladrões tornaram-se tão ameaçadores para os viajantes, que eles tinham de se organizar em caravanas. A seguir vieram os rios caudalosos e as enchentes, com apenas algumas pontes para cruzá-los. Para os de viva imaginação, essas aventuras são verdadeiramente estimulantes!
Embora não haja registro da infância de Paulo, uma história muito interessante pode ser montada a partir das informações colhidas da história, da tradição e das notas pessoais nos escritos paulinos.
O nascimento de Paulo
O grande apóstolo nasceu por volta do ano três de nossa era, no lar de um piedoso casal, no bairro judeu de Tarso. As ruas eram estreitas e as casas pobres, mas aquele dia foi de imensa felicidade para a família. Contemplaram o rosto do filho, e sentiram-se satisfeitos e orgulhosos.
Embora vivessem numa cidade gentia, seus pais resolveram dedicá-lo ao serviço de Deus, e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para educá-lo como um verdadeiro israelita.
O pai pertencia à tribo de Benjamim e gabava-se disso sempre que os vizinhos mencionavam suas árvores genealógicas. Todos sabiam que Saul, o primeiro rei de Israel, era benjamita.
Apesar de morar em Tarso, a família considerava as montanhas orientais da Palestina o seu verdadeiro lar como o faziam os judeus piedosos. Para eles, Jerusalém era a cidade mais bela do mundo, pois ali estava a Casa de Deus. Eles enviavam ofertas para os reparos do Templo, e a cada ano planejavam visitar a Cidade Santa por ocasião da Páscoa.
Oito dias após o nascimento do menino, os pais deram-lhe um nome. A cerimônia foi seguida de uma ceia, para a qual todos os amigos e parentes foram convidados, e cada um levou o seu presente. Ele recebeu o bom nome hebreu de Saulo. Esse era um nome mui querido de todos os descendentes de Benjamim porque assim se chamava o primeiro rei de Israel. Mas como viviam no mundo romano, usaram também a forma latina do nome – Saulo. Nos negócios, ele era Paulo, porque isso impressionava os gentios. Mas a mãe sempre o chamava de Saulo, pois esse nome agradava-lhe o coração.
BALL, Charles Ferguson, A vida e os tempos do apóstolo Paulo, CPAD, Rio de Janeiro, 1998.
Quem foi Paulo?
Judeu, fariseu, encontrado pela primeira vez no livro de Atos com seu nome hebraico – Saulo (At 7.58;13.9). Nasceu em Tarso, Cilícia, cidade localizada na Ásia Menor (atualmente sul da Turquia). Provavelmente nasceu uns dez anos depois de Cristo, pois é mencionado como “um jovem”, na ocasião do apedrejamento de Estevão (At 7.58). Seu pai sem dúvida era judeu, mas comprou ou recebeu cidadania romana. Por essa razão, Paulo mais tarde utilizou-se desse direito por nascimento. Por isso, apelou para ser julgado em Roma pelo próprio imperador César (At 22.25). A despeito de sua cidadania, ele foi criado numa família judaica e tornou-se fariseu. Também descreveu a si mesmo como “hebreu de hebreus”. Foi criado de acordo com o judaísmo e circuncidado no oitavo dia de vida; portanto, era zeloso na obediência de cada ponto da lei mosaica (Fp 3.5,6).
Paulo era tão zeloso da Lei e de sua fé que, em certa época de sua vida, provavelmente no início da adolescência, viajou para Jerusalém, onde foi aluno do mais famoso rabino de sua época. Posteriormente, disse aos líderes judeus: “E nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois” (At 22.3).
Todos os mestres judaicos exerciam determinada função para sobreviver; por isso, não é de admirar que esse líder religioso altamente educado aprendesse também uma profissão com seu pai. Paulo era fabricante de tendas (At 18.3) e ocasionalmente a Bíblia menciona como exerceu essa função para se sustentar (1 Co 4.12; 2 Ts 3.8; etc.). Existem amplas evidências nessas e outras passagens de que ele trabalhava, para não impor um jugo sobre as pessoas entre as quais desejava proclamar o evangelho de Cristo (1 Co 9.16-19). Além disso, dada a maneira como os professores itinerantes e filósofos esperavam ser sustentados pelas pessoas com alimentos e finanças, Paulo provavelmente não desejava ser considerado mais um aventureiro (1Ts 2.3-6).
GARDNER, Paul, Quem é quem na Bíblia Sagrada, Vida, São Paulo, 1999.
Saiba mais
ROBERTSON, A.T., Épocas na vida de Paulo, JUERP, Rio de Janeiro, 1982.





